25/07/2015

REFLEXÕES SOBRE A IMORTALIDADE DA ALMA

[e sono da alma, aniquilacionismo, aniquilacionista, mortalismo, mortalista, adventismo,  sabatismo, sabatista, etc.]


Pr Airton Evangelista da Costa

A doutrina aniquilacionista defende cessação total da vida no ato da morte. A alma, princípio vital, sucumbe com o corpo na sepultura. Ao descer ao pó, o homem, desaparece por completo. Todavia, segundo essa teoria, os justos ressuscitarão no tempo oportuno e voltarão à condição original de alma vivente.

O castigo dos ímpios seria o de não viver para sempre com Jesus. A morte para estes seria realmente a separação eterna de Deus. Neste caso, não haveria os diferentes graus de castigo, segundo as obras de cada um.

"O aniquilacionismo defende que, após a morte, a alma do ímpio não será punida eternamente num inferno literal, mas, ao invés disso, simplesmente deixará de existir. O aniquilacionismo constitui um meio termo entre o universalismo indiscriminado e a doutrina cristã tradicional da condenação eterna. É defendido pelas testemunhas de Jeová, pelos adventistas do sétimo dia, pela Igreja Mundial de Deus, e muitos outros grupos religiosos em atividade atualmente" (Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo, George A. Mather).

O Antigo Testamento é pouco elucidativo quanto à vida após a morte. É no Novo Testamento que vamos encontrar indicações mais claras a respeito do assunto. Comecemos pela formação do homem no Éden, onde pela primeira vez, a palavra alma é registrada:
"Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente. Então da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou a mulher, e a trouxe ao homem" (Gn 2.7,22).
Deus criou os animais sem soprar em suas narinas e os chamou de "répteis de alma vivente [criaturas que vivem e se movem]" (Gn 1.20,21), diferentes do homem que recebeu o fôlego diretamente de Deus. Os seres humanos possuem portanto algo que veio diretamente da substância de Deus. A esse fôlego damos o nome de alma. Vejamos agora o significado das palavras "alma" e "espírito" no hebraico e no grego, línguas originais do Antigo e do Novo Testamento, respectivamente.

Alma, hebraico "nephesh". Significados principais: alma, ego, vida, pessoa, coração; refere-se à essência da vida, ao ato de respirar, tomar fôlego.

Alma, grego psyche. Significados principais: a vida natural do corpo; vida; a parte imaterial, invisível do homem, o homem interior (Mt 10.28; At 2.27; 1 Rs 17.21).

Espírito, hebraico "ruah". Significados principais: respiração, ar, força, vento, brisa, ânimo, humor, Espírito. Vejamos alguns exemplos: respiração que, quando volta, a pessoa é reavivada: 
"E [Sansão] bebeu [água]; e o seu espírito[literalmente, respiração] tornou, e reviveu" (Jz 15.19); elemento de vida no homem, o seu "espírito" natural: "E expirou toda carne que se movia sobre a terra [...] Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes" (Gn 7.21.22). Estes versículos dizem que os animais também possuem "espírito", porém o homem recebeu o "fôlego" de forma diferente.

Espírito, grego pneuma. Significados principais: vento, respiração; parte imaterial, invisível do homem (Lc 8.55; At 7.59; 1 Co 5.5; Tg 2.26); o Espírito Santo; o homem interior, com relação aos crentes; os espíritos imundos, demônios; o corpo da ressurreição (1 Co 15.45; 1 Tm 3.16; 1 Pe 3.18). (Fonte: Dicionário VINE, W.E.Vine, Merril F. Unger, William White Jr., CPAD, 2002, 1a. Edição).

Em 
Isaías 26.9 o profeta apresenta nephesh e ruah como sinônimos: "Com minha alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te". Parece indicar que a alma está ligada aos sentimentos ("te desejei"), sendo o espírito o elemento vital de comunicação com Deus.

A Bíblia não faz uma nítida distinção entre alma e espírito. Maria, mãe de Jesus, orou assim: 
"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador" (Lc 1.46-47). Jesus, no Getsêmani: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal" (Mt 26.38). Na cruz, Ele bradou: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23.46). Por isso, para efeito deste trabalho, chamaremos de alma ou espírito a parte imaterial que se separa do corpo na hora da morte.

A alma foi doada ao homem no momento de sua formação, conforme Gênesis 2.7, onde se lê que o homem tornou-se "alma vivente". A condição expressa no verso 17 - "certamente morrerás" - sugere uma imortalidade humana. Subtende-se que se o primeiro casal não comesse do fruto proibido, não passaria pela morte física nem perderia a comunhão com o Criador.

O primeiro casal não morreu logo após desobedecer, ou seja, não desceu ao pó, mas ficou potencialmente sujeito à morte física. Contudo, a sua morte espiritual foi imediata (Gn 3.7-13). Depois que o pecado afetou de forma negativa a raça humana, passou a haver separação da pessoa, na morte, em corpo, que volta à terra, e em espírito que volta a Deus (Ec 12.7).

Analisemos 
Eclesiastes 12.7- “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

... O pneuma-espírito não desce à sepultura. Ele é parte inerente ao homem, mas não o é do corpo sem vida. Na morte há uma separação. Os contradizentes argumentam que se todos os espíritos voltam a Deus, então, como defende o universalismo, todos se salvam. Tal argumento não deve prevalecer. Basta ler o verso anterior:
“6 ¶ [Lembra-te também do teu Criador] ... Antes que se rompa o cordão de prata, [isto é, antes que a morte chegue e se desmanche a coluna vertebral] " (v.6). É nessa condição de homem arrependido e voltado para Deus, que a alma imortal, separada do corpo na hora da morte, "volta para Deus, que a deu".

O contexto ressalta a fragilidade da vida do homem que vive sua vida sem temer a Deus, sem sequer se lembrar do seu Criador, sem nenhuma preocupação com a vida espiritual futura. A imagem de um corpo que se transforma em pó contrasta com a situação de vaidade e orgulho dos que não se submetem à vontade do Criador. Eclesiastes 12.7 mostra que a alma é imortal, e não morre com o corpo, nem com o corpo dorme na sepultura, mas segue imediatamente para Deus.

Dando mais luz ao contido em Gn 3.19 e Ec 12.7, Jesus disse que quando descemos ao pó a nossa parte imaterial e invisível sobrevive, não morre:
"E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt 10.28).

Seus discípulos aprenderam a lição. Sabiam que a morte não era o fim de tudo. Herodes poderia degolar João Batista, mas jamais poderia extinguir a sua alma. Pedro poderia ser crucificado de cabeça para baixo; outros poderiam ser brutalmente assassinados, mas suas almas permaneceriam intocáveis. Jesus não deixa dúvida quanto à imortalidade e sobrevivência da alma. Por isso, na parábola, disse que 
"Lázaro morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão". O rico, que vivia na opulência, poderia até ter tirado a vida do mendigo, mas a alma deste não seria atingida.

Conhecedor desta verdade, o apóstolo Paulo afirma que 
"para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho...mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor" (Fp 1.21-23). Estava Paulo realmente consciente de que iria apodrecer no sepulcro e nada dele sobraria até a ressurreição? Neste caso não haveria qualquer lucro imediato. Melhor seria continuar vivo e pregando o Evangelho. Mas ele tinha a promessa do Autor da Vida: a sua alma não morrerá. "Partir e estar com Cristo" transmite uma idéia de trânsito sem interrupção. Esta interpretação se torna mais consistente quando consideramos Lucas 23.43, 46, e Atos 7.59.

O EXTERMÍNIO DOS ÍMPIOS

Os mortalistas alegam que se os que morrem em Cristo seguem diretamente para o céu, por que motivo Deus os tiraria de lá para se unirem a seus corpos? Considerando que defendem a total extinção dos ímpios, respondemos com outra pergunta: "Por que Deus tiraria os ímpios de suas sepulturas (Ap 20.5) para em seguida aniquilá-los? Eles já não estão mortos? Ora, na ressurreição do corpo - uns para a vida de eterna comunhão com Deus, outros para a eterna separação de Deus - ocorre uma recomposição alma-corpo, e o homem retorna à condição original de alma vivente (Gn 2.7), porém agora, quanto aos salvos, num estado de glorificação.

Li em determinado endereço na internet que o objetivo da segunda ressurreição, a dos ímpios (Ap 20.5) é "simples regresso à vida, à vida física, prelúdio de destruição total e definitiva (Dn 12.2 - 2a parte)". Vejamos o que diz o texto:
"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Dn 12.2). Os contradizentes desejam aniquilar a alma do homem, na morte, e também aniquilar os ímpios após a ressurreição destes. Mas o texto apresentado não aprova tal raciocínio. Os ímpios ressuscitarão "para vergonha e desprezo eterno", ou seja, estarão eternamente envergonhados e desprezados, afastados de Deus. Jesus fala que os maus sofrerão a ressurreição "da condenação" (Jo 5.28,29). O inferno é lugar de "tribulação e angústia" (Rm 2.9) e de "pranto e ranger de dentes" (Mt 22.13; 25.30). Tais castigos só podem ocorrer em corpos vivos. A ressurreição dos ímpios dar-se-á para serem julgados e castigados segundo as más obras de cada um. É um exagero afirmar que a ressurreição dos ímpios é um "prelúdio" do extermínio.

GRAUS DE CASTIGO

A doutrina da pena de morte para os ímpios não consegue responder satisfatoriamente como serão aplicados os diferentes graus de castigo. Ora, se os ímpios sofrerem a pena capital, não haverá diferentes graus de punição.

"Assim como haverá diferentes graus de glória no novo céu e na nova terra, também haverá diferentes graus de sofrimento no inferno. Aqueles que estão eternamente perdidos sofrerão diferentes graus de castigo, conforme os privilégios e responsabilidades que aqui tiveram" (Notas Bíblia de Estudo Pentecostal). Vejam os textos pertinentes:
"Virá o Senhor daquele servo no dia em que o não espera e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis". E o servo que soube da vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com MUITOS AÇOITES. Mas o que a não soube e fez coisas dignas de açoites com POUCOS AÇOITES será castigado..." (Lc 12.46-48).

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações. Por isso, SOFREREIS MAIS RIGOROSO JUÍZO" (Mt 23.14). (Mc 12.40 diz:"...Estes receberão juízo muito mais severo"; Lucas 20.47 diz"... Estes receberão maior condenação").

"De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?" (Heb 10.29).

"Uma é a glória do sol, e outra, a glória da lua; e outra, a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. " (1 Co 15.41,42).


Os crentes fiéis receberão galardões: Mt 5.11,12; 25.14-23; Lc 19.12-19; 22.28-30; 1 Co 3.12-14; 9.25-27;2 Co 5.10; Ef 6.8; Hb 6.10; Ap 2.7,11,17,26-28; 3.4,5;12,21. Os crentes menos fiéis receberão poucos galardões, ou nenhum (Ec 12.14; Mt 5.19; 2 Co 5.10).

Ainda sobre o "extermínio dos ímpios, convém esclarecer que o verbo "perecer" em Mateus 10.28 não significa exterminar. Vejamos seu real significado no grego, língua original do Novo Testamento, tudo conforme o conceituado Dicionário VINE, de W.E. Vine, Merril F. Unger, William White Jr., CPAD, edição 2002, Rio.


"Perecer"1 - apollumi, "destruir", significa, na voz média, "perecer", e é usado acerca de:
(a) coisas
 (por exemplo, Mt 5.29.30; Lc 5.37; At 27.34 [em alguns textos piptõ, "cair"]; Hb 1.11; 2 Pe 3.6; Ap 18.14-segunda parte...
(b) pessoas (por exemplo, Mt 8.25; Jo 3.15, 16; 10.28; 17.12, "se perdeu"; Rm 2.12; 1 Co 8.11; 15.18; 2 Pe 3.9; Jd 11). Em 1 Co 1.18 ["Porque a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo..."], literalmente, "perecendo", onde a força perfectiva do verbo implica a conclusão do processo. Quanto ao significado da palavra, veja DESTRUIR".

"Destruir"
1 - apollumi, forma fortalecida de ollumi, significa "destruir totalmente"; na voz média, "perecer". A idéia não é de extinção, mas de ruína, perda, não de ser, mas de bem-estar. Isto é claro pelo uso do verbo, como, por exemplo, o estrago dos odres de vinho (Lc 5.37); a ovelha perdida, ou seja, perdida do pastor, estado metafórico de destituição espiritual (Lc 15.4,6, etc.); o filho perdido (Lc 15.24); o perecimento da comida (Jo 6.27), do ouro (1 Pe 1.7). O mesmo com relação às pessoas (Mt 2.13; 8.25; 22.7; 27.20); à perda da felicidade no caso dos não-salvos (Mt 10.28; Lc 13.3,5; Jo 3.15, em alguns manuscritos; Jo 3.16; 10.28; 17.12; Rm 2.12; 1 Co 15.18; 2 Co 2.15; 4.3; 2 Ts 2.10; Tg 4.12; 2 Pe 3.9).

2 - kataluõ, formado de kata, para baixo, elemento intensivo, e o n. 4, "destruir totalmente", "subverter completamente", é verbo que ocorre em Mt 5,17 duas vezes acerca da lei); Mt 24.2; 26.61; 27.40; Mc 13.2; 14.58; 15.29; Lc 21.6 (acerca do templo); em At 6.14, diz respeito a Jerusalém; em Gl 2.18, fala acerca da lei como meio de justificação; em Rm 14.20, da ruína do bem-estar espiritual de uma pessoa (em Rm 14.15, o verbo appolumi, n. 1, é usado no mesmo sentido). Em At 5.38,39, acerca do fracasso dos propósitos; em 2 Co 5.1, da morte do corpo".

Portanto, nem sempre a expressão PERECER significa destruição, extermínio, eliminação do ser. Vejamos o que diz o evangelho sinótico de Lucas:"Temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno" (Lc 12.5b).Eis a Bíblia se explicando a si mesma. O sinótico de Lucas, para não pairar dúvidas, não usa o verbo apollumi-perecer, mas emballõ-lançar (separar, lançar, arremessar, atirar, jogar, lançar em). Ballõ-lançar é um sinônimo traduzido como lançar, arremessar, jogar (Mt 5.29; 18.8; Ap 2.10.24; 20.3,10,14,15). Então Mateus 10.28b deve ser lido assim: "...tem o poder para lançar no inferno alma e corpo". Logo, lançar ou perecer no inferno não significa aniquilamento.

Os mortalistas apresentam também o seguinte texto como prova do extermínio dos maus: 
"Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder" (2 Ts 1.9).

Contestação - O versículo diz exatamente o contrário do que desejam os defensores da pena de morte. Os ímpios serão banidos da face do Senhor, para serem castigados (cf.Ap 20.10)."Destruição/perdição/banimento" (elethros) nesse caso, como já vimos, significa perda de bem-estar, ruína, separação eterna da comunhão de Deus, tal como já explicado a análise de Mateus 10.28b ("perecer no inferno"). Neste sentido é usado em Mt 7.13, Jo 17.12, 2 Ts 2.3. Adão foi expulso do Éden, banido da face do Senhor, e experimentou imediata perdição/morte espiritual. 
"Pois assim como em Adão todos morrem, também da mesma forma em Cristo serão vivificados" (1 Co 15.22). Ademais, o próprio texto diz: "separados/banidos da presença do Senhor". A advertência do Senhor continua válida nos dias de hoje. Se formos desobedientes, certamente morreremos (Gn 2.17).

Mais um: "
Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e pisareis os ímpios, porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que estou preparando, diz o Senhor dos Exércitos" (Ml 4.1,3).

Contestação - Realmente, os ímpios serão destruídos. O texto fala de pessoas vivas que serão exterminadas no Dia do Senhor ("aquele dia"). Esses ímpios a serem aniquilados ressuscitarão no tempo devido (Jo 5.29; Ap 20.5). Depois, corpo e alma serão lançados no inferno (Mt 10.28; Lc 12.5), onde 
"serão atormentados dia e noite, pelos séculos dos séculos" (Ap 20.10,14,15). Malaquias 4.1,3 se coaduna com outras passagens que falam das últimas coisas. Vejamos:"Porque como um fogo purificador ele é..." (Ml 3.2-a); "Colocarei sinais nos céus e sobre a terra, sangue e fogo e colunas de fumaça" (Jl 2.30); "Os céus e a terra que agora existem, estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e da destruição dos ímpios (2 Pe 3.7). Um terça parte dos homens serão mortos ao soar da sexta trombeta, por fogo, fumaça e enxofre (Ap 9.15,17). No Dia do Senhor, no tempo em que Deus derramará seus juízos sobre a terra, os ímpios que existirem na terra experimentarão a primeira morte, a morte física. Depois da ressurreição, virá a morte eterna, a eterna separação de Deus (Ap 20.14,15;21.8; 22.15).

Portanto, o texto sob análise não reforça a tese do aniquilamento. Dentro do mesmo contexto e interpretação estão os demais textos que falam em extermínio e perdição dos ímpios (Sl 34.16;37.9.10,38; 145.20. Fp 3.19). Em tais casos, "perecer", "destruir", "perdição" falam da destituição e alienação espirituais provenientes de Deus. São exemplos João 3.16 ("não pereça, mas tenha a vida eterna") e Mateus 10.6 ("ovelhas perdidas da casa de Israel").

A tese do extermínio dos ímpios enfrenta outra dificuldade. Jesus revelou que os justos ressuscitarão "para a vida", e os ímpios, "para serem condenados" (Jo 5.29); na carta aos romanos Paulo indica que 
"haverá tribulação e angústia para todo ser humano que pratica o mal" (Rm 2.9); em Daniel 12.2 lê-se que os ímpios ressuscitarão "para a vergonha e desprezo eterno"; Apocalipse 14.11 diz que não haverá descanso "nem de dia nem de noite" para os adoradores da besta; Apocalipse 20.10 anuncia que os que forem lançados no lago de fogo "serão atormentados dia e noite, para todo o sempre"; Jesus declara que os insensatos e hipócritas serão punidos severamente num lugar "onde haverá choro e ranger de dentes" (Mt 8.12; 24.51; 25.30), e onde estarão amarrados, em trevas, para todo o sempre (Mt 22.13).

Convenhamos, defunto não chora, não se angustia, não range dentes, não passa por tribulação, não se atormenta, não sente vergonha ou desprezo. Logo, não deve prevalecer a idéia de que os ímpios serão exterminados. Deus não ressuscitará os ímpios para exterminá-los em seguida (Ap 20.5). Agiria assim para que morram "conscientes" da punição? De maneira alguma. É uma impropriedade alegar que a ressurreição é um prelúdio da morte. Reviver para morrer, sair da sepultura para, em seguida, retornar à sepultura - sinceramente, se trata de um pensamento que colide frontalmente com a Palavra. A ressurreição do corpo é para que viva; não para que morra. Não fosse assim, não haveria razão para ressuscitar os que já se acham mortos.

Em resumo, a tese do extermínio dos ímpios é incompatível com a doutrina dos diferentes graus de castigo e contrária ao ensino da Bíblia. O assunto voltará a ser tratado mais adiante.

DUALIDADE E SOBREVIVÊNCIA DA ALMA

A separação alma-corpo por ocasião da morte está expressa, por exemplo, nas palavras de Jesus: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou". Havendo morrido como homem, e não como Deus, a alma de Jesus também separou-se do seu corpo na morte. O primeiro mártir cristão, Estevão, também entregou seu espírito: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (At 7.59). Salomão tinha razão quando disse que o corpo desce ao pó, mas o espírito segue seu destino (Ec 12.7), confirmando haver uma separação na hora da morte.
"E disse [o ladrão] a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23.42,43).

A declaração de Jesus ao ladrão arrependido é a mais clara aplicação da salvação pela graça, mediante a fé, conforme Efésios 2.8-9. Além disso, o texto revela a dualidade do homem, a separação e sobrevivência da alma por ocasião da morte. Tão grande pedra no caminho dos mortalistas não poderia deixar de ser rejeitada com muito alarido e pouca consistência. Apresentam as seguintes objeções, cabalmente refutáveis.

Primeiro - Dizem que em algumas versões está escrito "quando vieres no teu reino" , e não "quando entrares no teu reino". Assim, desejam convencer que a alma do ladrão não iria imediatamente para o céu, mas esperaria a volta de Jesus para ressuscitar.

Contestação -
(a) A segunda parte do texto dirime qualquer dúvida que possa existir com relação à primeira. Jesus declara que o ladrão arrependido subiria para o céu naquele mesmo dia. Em nenhuma hipótese devemos duvidar das palavras de Jesus, a menos que renunciemos à nossa condição de cristãos.
(b) O ladrão arrependido passou a fazer parte do reino de Deus no momento em que aceitou o senhorio de Jesus. Sabendo que o ladrão morreria naquele mesmo dia, e que, na qualidade de salvo, sua parte imaterial iria para o céu, Jesus declarou sem rodeios: "Hoje estarás comigo no paraíso". É muito provável que o ladrão não conhecesse o ensino da volta de Jesus. A interpretação mais provável, portanto, é "quando entrares no seu reino".
(c) De qualquer modo, Jesus nos ensinou que as almas dos crentes seguem direto para o céu. Com isto, o ladrão morreu com a certeza de se encontrar com Ele no paraíso.
(d) A palavra grega erchomai é traduzida também como "vir" (Mt 2.2; 24.46), "ir" (Jo 20.1; 1 Co 4.19), chegar (Mt 8.14; 13.54), partir (Mc 8.10; 9.33). Em razão disso, algumas versões registram, "quando vieres no seu reino", e outras, "quando entrares no seu reino".
(e) O ladrão leu a placa com a declaração em grego, romano e hebraico: "Este é o Rei dos judeus" (Lc 23.38) que fora colocada na cruz, teve certeza de que Jesus reinaria em algum lugar e manifestou o desejo de participar desse reino. Na verdade Jesus começou a reinar ali mesmo no coração do arrependido malfeitor. Então, quando estiveres, chegares, entrares no seu reinado, lembra-te de mim. Qualquer dúvida que possa subsistir desvanece diante da declaração de Jesus: "
Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso".
Segundo - Os contradizentes alegam que na Tradução Trinitariana, em português, editada em 1883, pela "Trinitarian Bible Society" de Londres, Diz: "Na verdade te digo hoje, que serás comigo no Paraíso".

Contestação - A versão apresentada atende aos interesses dos contradizentes. É importante registrar que em edições mais recentes, em português, da SBTB - Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, o versículo está redigido assim:
"Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso". Então, se torna inconsistente o argumento que defende a transcrição correta somente na edição de 1883, sem esclarecer o porquê de tal discriminação. Eleger uma versão em detrimento de outras, somente porque determinado registro atende a determinada crença, não me parece um sólido argumento.

Terceiro - Alegam também, em defesa da inexistência da alma imortal, que a expressão "hoje" ligada ao verbo não é redundante, mas enfática, tal como encontrada em Zacarias 9:12 e Atos 20:26. Justificam assim a versão "digo-te hoje: estarás comigo no paraíso". Contestação - Devemos buscar a ênfase no contexto. Logo após garantir que o malfeitor estaria com Ele no paraíso, Jesus, para confirmar tal assertiva, entregou ao Pai seu próprio espírito. Os textos apresentados (Zc 9.12 e At 20.26) não servem para elucidar a questão. Vários exemplos podem ser citados em que inexiste a expressão "digo hoje": "Em verdade vos digo que eles já receberam..." (Mt 6.2); "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido..." (Mt 11.11).

Quarto - Para contornar o problema, alegam que o ladrão não morreu naquele mesmo dia. Dizem que os crucificados passavam até sete dias sofrendo. Afirmam que "Cristo foi caso excepcional e que sabemos que não morreu dos ferimentos ou da hemorragia, mas do quebrantamento do coração. Morreu de dor moral por causa dos pecados do mundo. Mas os outros, não, e as crônicas descrevem o condenado esvaindo-se lentamente durante dias". Alegam mais que "de acordo com o costume, quebravam as pernas dos criminosos depois de os haverem removido da cruz, deixando-os estendidos no chão, até que o sábado passasse. Depois do sábado haver passado, sem dúvida esses dois corpos foram outra vez amarrados na cruz, e lá ficaram diversos dias até morrerem..."
Contestação - Como não podem negar a morte de Jesus na sexta-feira, apelam por alongar a agonia dos malfeitores crucificados. Ao dizer que Jesus morreu de "dor moral", negam a existência de hemorragia no Seu corpo, a asfixia, o enfraquecimento físico. Tal afirmação colide com diagnósticos de profissionais. O Dr. Barbet, médico francês, professor e cirurgião, que por treze anos viveu na companhia de cadáveres, após dissertar sobre o sofrimento de Jesus, dá o seu diagnóstico:

"Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancaram um lamento: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?". Jesus grita: "Tudo está consumado!". Em seguida num grande brado disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre".

O Professor Pierluigi Baima Bollone diretor do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Torino - Itália, relata em seu último livro, "Os últimos dias de Cristo". que a causa final da morte de Jesus foi "asfixia, complicada por ataque cardíaco terminal, e trombose coronária, ocorridas depois de poucas horas sobre a cruz, pois Jesus se encontrava fraco, devido as torturas recebidas. Todos estes dados são perfeitamente compatíveis com o que se lê nos evangelhos".

Vejamos o relato bíblico a respeito da morte dos ladrões:
"Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado) rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado. Mas, vindo a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas" (Jo 19.31-33).

Quebrar as pernas dos crucificados tinha o objetivo de apressar a morte. Sem o apoio dos pés, o corpo ficava seguro apenas pelos pulsos, o que causava forte pressão sobre o tórax. A morte viria rapidamente.

Quinto - Alegam que Jesus não foi para o Pai logo após a morte. Apresentam como justificativa o que Jesus disse a Maria Madalena: "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai" (Jo 20.17 a). Sob a ótica da não sobrevivência da alma, dizem que Jesus devolveu ao Pai o sopro, a vida dele recebida. Assim explicam: "Era este fôlego que Cristo e Estevão não podendo reter, quando estavam prestes a expirar (e expirar significa soltar o fôlego, exalá-lo definitivamente), pediram ao Pai que o recebesse de volta. (Atos 7:59 e Lucas 23:46). Mas não era parte consciente, pois Cristo, dias depois, ressurreto, dissera: "Ainda não subi para Meu Pai."
Contestação - Creio que todas as afirmações de Jesus são verdadeiras. Os mortalistas se agarram na frágil argumentação segundo a qual o espírito de Jesus não subiu ao Pai porque Ele mesmo o revelou a Madalena (Jo 20.17). Somente em duas hipóteses Jesus não entregou seu espírito ao Pai. Primeira, Ele não falou isso, e os evangelhos mentem; segunda, de fato Ele entregou seu espírito, mas o Pai não o recebeu. Nenhuma dessas hipóteses é viável. "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai" diz respeito à subida de seu corpo ressurreto. Passados quarenta dias é que se deu sua ascensão corporal.

Na ótica dos mortalistas não existe separação entre corpo e espírito por ocasião do falecimento. Admitem que o retorno à vida, como no caso de Lázaro (Jo 11.43) e da ressurreição coletiva (1 Ts 4.16-17), é resultado de novo sopro de Deus.

Jesus e Estevão não entregaram um simples sopro, nem Jesus disse ao ladrão que o seu "sopro" estaria subindo para o céu juntamente com o seu próprio "sopro". Nem sempre se pode traduzir psyche como "sopro". Vejamos se seria possível tal construção:

"Não temais os que matam o corpo, e não podem matar o "sopro"; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto o "sopro" como o corpo" (Mt 10.28).

Após a morte a alma continua existindo. Na sua visão apocalíptica, o apóstolo João validou essa realidade: 
"E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus...e clamavam com grande voz..." (Ap 6.9-10). De nenhum modo se pode deduzir que os "sopros" dos mortos estavam vivos e conscientes. As "almas dos que foram mortos" estavam no céu, e oravam para que os ímpios que rejeitaram a Deus e mataram os seus seguidores recebessem a justiça divina.

Para Apocalipse 6.9-10 os mortalistas afirmam que é tudo simbólico, mas depois apresentam uma bizarra interpretação: "Estas "almas" eram as pessoas vítimas da matança do cavaleiro chamado Morte, descrito no quarto selo. Queremos dizer que as "almas" que aparecem sob o quinto selo foram mortas sob o selo precedente, dezenas ou mesmo centenas de anos antes, portanto os perseguidores já estavam mortos, e ainda de conformidade com a teologia popular deveriam já estar no inferno, portanto já sofrendo a punição, sendo inócuo, pois, o clamor por vingança" (http://www.jupiter.com.br/iasd/pmc2/outras2.htm [este é um site dos adventistas do sétimo dia])

Contestação - O que dizer de: 
"E vi almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus..." (Ap 20.4)? Se são "almas das pessoas", confirma-se a sobrevivência das almas, pois não há registro de que essas pessoas haviam ressuscitado. Se a Bíblia diz que eram almas dos mortos, então realmente o eram. Seriam elas o "sopro" dos que foram degolados?. Claro que não.
A mensagem nos diz que as almas se separam dos corpos, e sobrevivem, conforme referendado em outros textos. Não procede o argumento de que as almas referidas são de pessoas que morreram centenas de anos antes. Esses eventos ocorrerão num período de sete anos, tempo de duração da grande tribulação, a "septuagésima semana de Daniel" (Dn 9.27;Ap 11.2; 13.5).

Em Lucas 16.22 está escrito, conforme palavras de Jesus, que o mendigo Lázaro morreu e 
"foi levado pelos anjos para o seio de Abraão". A alma do injusto rico seguiu para um lugar de tormentos. O apóstolo Paulo desejou"partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Fp 1.23). Esta afirmação denota mudança imediata, sem interrupção, sem intervalo. Demonstra que Paulo sabia que a sua alma entraria imediatamente na presença de Deus.

A imortalidade da alma não é doutrina estranha às sagradas Escrituras. Creio na verdade dita por Jesus: podem matar o corpo, mas a alma não morrerá. Vejamos mais uma vez: 
"E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo" (Mt 10.28).
"Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei". (Lc 12.4-5).

O texto acima contradiz duas teses dos aniquilistas:
(a) A da morte da alma com o corpo;
(b) A do extermínio dos ímpios. Alegam que "matar o corpo e não podem matar a alma" significa não poder matar o transcendente, a mente ou ego. Alegam também que se Jesus declara que Deus pode fazer perecer no inferno alma e corpo, é porque a alma é mortal.

Contestação - Os contradizentes afirmam que quando o homem morre, tudo se acaba. Somente na ressurreição é que ressurgem corpo, consciência e todo o complexo ser humano. O texto, por sua clareza, dispensaria comentários. "Matar o corpo, mas não podem matar a alma", dar autenticidade a Lucas 16.22 (Lázaro levado pelos anjos), Atos 7.59 (Estevão entregando seu espírito), Filipenses 1.23 (Paulo desejando morrer para estar com Cristo), Lucas 23.43 (o malfeitor arrependido sendo levado para o céu), Lucas 23.46 (o próprio Jesus entregando o seu espírito), Eclesiastes 12.7 (a alma se desliga e volta a Deus), Apocalipse 6.9 (almas dos mortos), Tiago 2.6 (corpo sem o espírito), Mateus 17.3 (Moisés na transfiguração), 2 Coríntios 5.8 (deixar o corpo e habitar com o Senhor), Mateus 22.32 (Deus não é Deus dos mortos, mas de vivos).

A MORTE DA ALMA

Examinemos algumas das provas apresentadas pelos mortalistas.

"Certamente morrerás", castigo prometido ao homem, em caso de desobediência (Gn 2.17), versículo muito usado na defesa do dogma da pena de morte para a alma. Alegam que como o homem foi feito "alma vivente" (Gn 2.7), ao morrer, morre a alma vivente e tudo se extingue. Alguns alegam que o homem, por não haver comido da árvore da vida (Gn 4.22-24), não se tornou imortal.

Contestação - Os contradizentes se apegam ao termo "alma vivente" na tentativa de demonstrar que o homem sendo uma alma que vive, morrendo o homem, morre a alma. Ocorre que o hebraico nephes, mencionado mais de 780 vezes no AT, é traduzido por alma, ego, vida, pessoa, coração. A mesma palavra nephes é usada para descrever animais da terra, em distinção aos pássaros e peixes. Nesta concepção, são seres ou criaturas viventes (Gn 1.24,28,30). Quanto ao homem, a palavra passa a significar pessoa que vive. Uma importante diferença existe na criação de homens e animais. O homem foi criado de um modo todo especial. Além de haver sido feito à imagem e semelhança do Criador, Deus soprou em suas narinas. Não houve sopro nas narinas dos animais. Temos, portanto, em nosso ser uma substância divina que veio diretamente do Ser Divino. A isso chamamos alma, que, segundo as palavras do próprio Criador, Jesus, é imortal e transcendente (Mt 10.28).

É possível que a árvore da vida seja símbolo das bênçãos espirituais a serem desfrutadas pelos que são lavados e remidos no sangue do Cordeiro. Após a queda, Adão foi lançado "fora do jardim do Éden" para que não tome da árvore da vida, e "viva eternamente" (Gn 3.22-23). O ressurgimento simbólico da árvore no tempo futuro (Ap 2.7;22.2,14), para desfrute dos santos imortais, desencoraja a tese de que ela seja símbolo de imortalidade. O Novo Comentário da Bíblia, assim interpreta: "Qualquer que seja a verdadeira explicação sobre a árvore, não há dúvida sobre a significação da ação de Deus ao remover o homem do jardim. O homem estava agora cortado de Deus e, portanto, no sentido mais real estava cortado da "vida": isso foi simbolizado mediante a separação entre ele e a árvore da vida". Somente quando a redenção aparece consumada é que a árvore da vida reaparece dentro do alcance do homem. Note-se que a `árvore da vida´ era símbolo do estado abençoado do homem; enquanto que a árvore da ciência do bem e do mal simbolizada o teste a que foi sujeitado o homem".

Gênesis 2.17 não fala em mortalidade da alma. Somente a partir de Eclesiastes 12.7 o assunto começa a ser revelado, até chegar na palavra de Jesus, conforme Mateus 10.28, onde diz que a alma não pode morrer.

Adão passou por duas qualidades de morte, após sua queda: em primeiro lugar e imediatamente, adveio a morte espiritual, ou seja, a eterna separação de Deus (Gn 3.6-12). Em segundo lugar, a morte física, isto é, Adão ficou sujeito a morrer fisicamente. Daí a sentença em 
Gênesis 3.19: "Pois és pó, e ao pó tornarás". Por isso, "certamente morrerás" (Gn 2.17) contempla a morte física e a morte espiritual. Esses dois tipos de morte passaram a todos os homens (Rm 5.12, cf. Mt 13.49; 25.41). A alma imortal de Adão não ficou sujeita à morte.

Os mortalistas dizem que na morte o fôlego se evapora, perde-se no ar. Eclesiastes 12.7 chama "espírito" a parte invisível que sai do corpo sem vida, e que volta para Deus. Salomão não se estendeu muito no assunto, mas nota-se que ele estava falando dos justos, cujas almas vão diretamente para Deus. Portanto, não vale dizer que Salomão ensinou a salvação universal, salvação para todos. Para colocar as coisas nos devidos lugares, Jesus explica que os justos são levados para o céu, e os desobedientes para um lugar de tormentos (Lc 16.19-31).

Continuemos na análise de alguns versículos apresentados pelos mortalistas em defesa do dogma da mortalidade da alma.

"A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18.4,20).Contestação - A Bíblia está falando de pessoas, de filhos com relação aos pais. .... Citar esse versículo como prova da mortalidade da alma é um lamentável equívoco. "Morte" nesse caso tem o mesmo significado que teve com relação a Adão, o de morte espiritual, compreendendo a separação de Deus. Os que estão mortos em seus pecados, afastados de Deus, porém vivos, têm ainda oportunidade de se arrependerem e aceitarem os termos da Nova Aliança em Cristo Jesus (Ez 18.21). Se, porém, não se arrependerem experimentarão a morte eterna, ou seja, a eterna separação de Deus. Estes sofrerão o eterno castigo (Ap 20.10; 14,15; 21.8).

"O salário do pecado é a morte" (Rm 6.23).Contestação - Cabe a mesma refutação do tópico anterior. Vejamos o que diz o conceituado Dicionário VINE, sobre thanatos-morte: "É usado nas Escrituras para descrever:
(a) a separação da alma (a parte espiritual do homem) do corpo (a parte material), o último cessar de funções e a volta para o pó (Jo 11.13; Hb 2.15; 5.7; 7.23).
(b) separação do homem de Deus; Adão morreu no dia em que desobedeceu a Deus (Gn 2.17), e, por conseguinte, todo o gênero humano nasce na mesma condição espiritual (Rm 5.12.14,17,21) da qual, porém, aqueles que crêem em Cristo são livres (Jo 5.24; 1 Jo 3.14). A morte é o oposto da vida; nunca denota não-existência. Assim como a vida espiritual é "a existência consciente em comunhão com Deus", assim, a morte espiritual é "a existência consciente na separação de Deus".

A IMORTALIDADE DE DEUS

"O único que possui a imortalidade que habita em luz inacessível..." (1 Tm 6.16). Este versículo é muito usado na defesa da mortalidade da alma. Dizem que o homem somente adquire imortalidade na ressurreição para a vida eterna com Cristo. Argumentam que na ressurreição o que é mortal se reveste de imortalidade (1 Co 15.54). Os outros, os que morreram sem salvação não terão tal privilégio.

Contestação - Na ressurreição dar-se-á uma recomposição do homem; o corpo volta à vida, reunindo-se à alma, e o homem retorna à condição original de ser vivente. Os crentes terão um corpo semelhante ao de Cristo (Rm 6.5; Fp 3.21). É preciso lembrar que os ímpios também ressuscitarão, e se tornarão imortais, porém terão vida de má qualidade.

"O termo athanasia expressa mais que imortalidade, sugere a qualidade da vida desfrutada, como está claro em 
2 Co 5.4: ...não queremos ser despidos, mas vestidos de novo, para que o mortal seja recolhido pela vida. O estado do crente de ser despido não se refere ao corpo no sepulcro, mas ao espírito que aguarda o "corpo da glória" na ressurreição" (Dicionário VINE, pg 703). O apóstolo Paulo faz talvez a mais importante revelação sobre a imortalidade da alma e futura união desta com o corpo. Ele fala da sua esperança não apenas de "partir e estar com Cristo" (Fp 1.23), mas de poder ser "vestido de novo", quando será consumada a redenção completa, "a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23).

A imortalidade de que trata 1 Timóteo 6.16, refere-se a um atributo intrínseco da Divindade; uma imortalidade que pode ser traduzida por eternidade, isto é, Deus não teve começo nem terá fim. Por outro lado, Paulo assevera que os cristãos ressuscitarão em corpos físicos "imortais" (1 Co 15.53). Logo, o homem possui em potencial essa imortalidade não inerente ao seu ser, mas derivada, adquirida, doada. A imortalidade humana difere da de Deus porque não é eterna: a nossa não terá fim, mas teve um princípio.

Mortalistas há que usam o argumento do silêncio, afirmando que em lugar nenhum da Bíblia diz que as almas que estão no céu ou no inferno sairão de seus lugares para um encontro com seus corpos. Como vimos em 2 Coríntios 5.1,8, e em outras passagens, esse silêncio não é total. Se a alma não morre com o corpo (Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 23.43,46; At 7.59; Fp 1.23), sem dúvida ela se unirá ao corpo e formará na ressurreição um corpo espiritual e imortal.

ACERCA DOS QUE DORMEM

Não sejais ignorantes acerca dos que já dormem... (1 Ts 4.13,14; cf. Dn 12.2; Mt 27.52; Mc 5.39; Lc 8.52; 1 Co 11.30; 15.6,18). A expressão "os que dormem", referindo-se aos mortos em Cristo, tem sido usada para justificar a inconsciência após a morte e a inexistência de uma alma sobrevivente e imortal. Dizem que a situação dos mortos até a ressurreição é de completa inexistência. Citam como prova irrecusável a resposta de Jesus aos discípulos: "Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo" (Jo 11.11). Alegam também que Jesus nada disse sobre a situação do espírito do falecido. Para Marta e Maria seria um consolo saber que seu irmão morreu e foi para o céu.

Contestação - Primeiro, é impróprio o argumento com base no silêncio de Jesus. Não se pode firmar doutrina sobre o que não foi dito. A Bíblia aponta na direção de que somente os salvos tiveram o privilégio de voltar a viver. Estamos falando em ressuscitar, ter uma vida normal, porém mortal. São exemplos: "os santos que dormiam" (Mt 27.52-53); o filho da viúva de Serepta, (1 Rs 17.19-22); o filho da sunamita, (2 Rs 4.32-35); o defunto na cova de Eliseu (2 Rs 13.21); a filha de Jairo (Mc 5.21-23, 35-41); o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17); a discípula chamada Tabita, ressuscitada por Pedro (At 9.36-43); a ressurreição do jovem Êutico (At 20.9). Temos aí cinco ressuscitações provavelmente de crianças ("delas pertence o reino de Deus" - Lc 18.16).

Lázaro não estava num lugar de tormentos, condenado (Lc 16.22.23). Não podemos imaginar um ímpio, condenado, vivendo já em tormentos, retornar à vida por um milagre de Deus. Entendemos que Lázaro, ao morrer, fora levado pelos anjos para o céu, tal como aconteceu com o outro Lázaro, o mendigo (Lc 16.22).

Segundo, sempre que a Bíblia fala em dormir está se referindo, metaforicamente, ao corpo, porquanto a parte imaterial do homem não morre, nem dorme. O corpo do malfeitor arrependido ficou "dormindo", mas seu espírito foi para o céu (Lc 23.43).

O conceituado Dicionário VINE nos oferece uma clara definição do termo grego koimaomai-dormir: "É usado acerca do "sono" natural (Mt 28.13); da morte do corpo, mas só daqueles que são de Cristo...; dos santos que partiram antes da vinda de Cristo (Mt 27.52; At 13.36); de Lázaro, enquanto Jesus ainda estava na terra (Jo 11.11). Este uso metafórico da palavra sono é apropriado por causa da semelhança na aparência entre um corpo dormente e um corpo morto; tranqüilidade e paz normalmente caracterizam ambos. O objetivo da metáfora é sugerir que assim como aquele que dorme não deixa de existir enquanto o corpo dorme, assim a pessoa morta continua a existir, apesar de sua ausência da região na qual aqueles que ficaram podem ter acesso ao corpo morto, e que, assim como sabemos que o sono é temporário, assim será a morte do corpo. É evidente que só o corpo está sob consideração nesta metáfora:
(a) por causa da derivação da palavra koimaomai, de keimai, `deitar-se´;
(b) pelo fato de que no Novo Testamento a palavra ressurreição é usada somente em alusão ao corpo;
(c) porque em Dn 12.2, onde os fisicamente mortos são descritos como `os que dormem no pó da terra', a linguagem é inaplicável à parte espiritual do homem; além disso, quando o corpo volta de onde veio (Gn 3.19), o espírito retorna a Deus que o deu (Ec 12.7). É evidente que a palavra `dormir´, onde é aplicada aos cristãos que partiram, não tem a intenção de transmitir a idéia de que o espírito está inconsciente".

Portanto, o argumento do "sono da alma", como é conhecido, para justificar a visão holística do adventismo, é um dos mais insustentáveis. Somente o corpo fica inconsciente.

O ESTADO DOS MORTOS

Para atestar que os mortos estão inconscientes, os defensores da alma mortal apresentam os seguintes razões: Salmos 94.17, 115.17 e Isaías 38.18, que falam em "silêncio"; Salmos 6.5, fala em "esquecimento"; Eclesiastes 9.5, 6 e 10, de "inconsciência"; Daniel 12.2; Jó 14.12; Salmos 13.3, João 11.11 a 14; 1 Ts 4.13-15, falam de "sono"; Dn 12.13; Ap 6.11; 14.13, falam de "repouso".

Contestação - A Bíblia ensina que ao separar-se do corpo a alma sobrevive e permanece num estado consciente de conhecimento. Portanto, quando a Bíblia fala em silêncio, esquecimento, descanso está se referindo à situação do corpo na sepultura, uma vez que a Palavra não pode contradizer-se. Já examinamos a questão do "sono da alma", em tópico anterior. Os textos citados podem ser esclarecidos unicamente através do exame de 
Eclesiastes 9.5: "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma...a sua memória ficou entregue ao esquecimento".

O próprio Salomão explica onde se dá essa falta de memória dos mortos. Vejam: 
"Tudo o que te vier à mão fazer, faze-o conforme as tuas forças, pois na sepultura, para onde vás, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (v.10). Então, a palavra se refere ao corpo morto, inconsciente, que não mais terá qualquer atividade "debaixo do sol" (Ec 9.6), na terra, mas com certeza saberá o que estiver ocorrendo no céu (cf Lc 16.19-31; 2 Co 5.8; Fp 1.13; Ap 6.9).

Por outro lado, de nada adiantaria subir para Deus uma alma inconsciente, morta, sem memória. Mas vejam que Jesus e Estevão entregaram o seu espírito. Não entregaram a sua respiração, o sopro de seus pulmões. Também de nada adiantaria ao ladrão subir para o céu, e lá não gozar conscientemente das bem-aventuranças. Os argumentos da extinção total do ser humano na hora da morte não devem prosperar por falta de embasamento bíblico.

Dito isto, analisemos algumas questões levantadas pelo adventista Dr. Samuele Bacchiocchi, um dos expoentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), no artigo intitulado "Dualismo e Holismo no Exame da Consciência após a Morte". Suas considerações são um retrato ampliado do pensamento da senhora Ellen Gould White (1827-1915), co-fundadora e profetiza da IASD. Os argumentos e textos bíblicos do Dr. Bacchiochi são, regra geral, os mesmos da referida profetiza, que assegurou o seguinte: "Depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que inculcassem a crença da imortalidade natural do homem" (Ellen, "O Grande Conflito", Edição Condensada, Casa Publicadora Brasileira, S. Paulo, p. 317).

Não se sabe como a profetiza soube o que se passava no reino das trevas. Ora, todos sabemos que os homens morrem, mas sabemos também que todos ressuscitarão, uns para a ressurreição da vida, outros para a ressurreição da condenação" (Jo 5.29). O problema reside em refletirmos a respeito dessa condenação. Os ímpios ressuscitarão para a ressurreição da morte? Ou para receberem a devida punição, 
"e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" (Ap 20.10)? A imortalidade que defendemos não é a do homem, mas a da alma do homem. Jesus soube muito bem definir o que significa corpo mortal e alma imortal (Mt 10.28).

Mas adiante, Ellen White declara: "Se fosse verdade que a alma passa diretamente para o Céu na hora do falecimento, bem poderíamos anelar mais a morte que a vida" (p. 319). Argumento exatamente igual vem sendo usado pelos admiradores da profetiza.

O apóstolo Paulo sabia que não existe, para os salvos, nenhum espaço de tempo indefinido entre a morte e a vida futura. Vejam: ...
"enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor; mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor" (2 Co 5.6,8); "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho; mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor" (Fp 1.21,23).

Vejamos os argumentos do Dr. Bacchiocchi:"Não existe na Bíblia qualquer dicotomia entre um corpo mortal e uma alma imortal que "se separa" quando da morte. Tanto o corpo quanto a alma são unidades indivisíveis que deixam de existir ao tempo da morte, até a ressurreição".Não procede tal tese. Ocorre exatamente o contrário. Na morte, há uma separação. Corpo e alma são unidades divisíveis. Conquanto o corpo se corrompa no pó, a alma, dada por Deus, sobrevive. A questão é que na visão holística o que se separa do corpo é o sopro; na visão dualista, o que se separa é a parte imaterial do homem.

"Abandonar o dualismo também provoca o abandono de todo um conjunto de doutrinas que resultam disso, especialmente a acariciada crença na consciência da vida após a morte. Isso pode se chamar "efeito dominó". Se uma doutrina cai, várias cairão junto".Não há como os aniquilistas abandonarem a crença da pena de morte para a alma sem que sofram o "efeito dominó". Abandonariam também a crença da inconsciência da alma, do extermínio dos ímpios, do sono da alma. Todavia, considero ser possível - em prol da liberdade de pensamento -, que um adventista se convença do ensino bíblico da imortalidade da alma, e continue adventista.

"O evangelho não nos dá base para uma doutrina de redenção que salva a alma à parte do corpo ao qual pertence. A comissão evangélica não é salvar almas, mas pessoas inteiras".Os evangélicos não ensinam o contrário. A redenção contempla o homem, corpo e alma. Para isso ocorre a ressurreição do corpo. É o corpo físico que ressurge. O mortal se revestirá de imortalidade (1 Co15.53-54). "...gememos, aguardando a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23). As almas imortais não precisam ser revestidas de imortalidade. Elas estão num lugar de descanso, ou num lugar de tormento (Lc 16.19-31). Na ressurreição a alma volta a unir-se ao corpo e o homem retorna à situação original de ser vivente (cf Rm 8.11).

"Essas crenças têm enfraquecido e obscurecido a expectativa da segunda vinda de Cristo".Não procede o argumento de que a "crença popular" dualista não valoriza a vinda de Cristo, uma vez que as almas dos crentes já estão no céu. A redenção só se completa com a ressurreição do corpo, que está garantida pela ressurreição de Cristo (Mt 28.6; At 17.31; 1 Co 15.12,20-23). A ressurreição do corpo é necessária:
(a) porque o corpo é parte essencial e total da personalidade do homem (Rm 8.18-25);
(b) na ressurreição o corpo voltará a ser templo do Espírito (1 Co 6.19);
(c) para vencer a morte, o último inimigo do homem (1 Co 15.26).

"O homem não recebeu uma alma de Deus; ele foi feito uma alma vivente. Os animais também foram feitos "almas viventes" (Gn 1:20, 21, 24, 30; 2:19), contudo, não foram criados à imagem de Deus".
Entenda-se "almas viventes" como criaturas viventes ou seres viventes que têm vida, que respiram vivem e se movem. Há, sim, uma grande diferença na forma como Deus criou homens e animais. Somente o homem recebeu o sopro de Deus em suas narinas (Gn 2.7). Isto é muito significativo. Para que os animais respirassem e vivessem não foi necessário o sopro de Deus. O respirar faz parte da mecânica do ser vivente. Os homens possuem algo provindo do seu eterno e imortal Criador. Esse algo se chama alma. Homens e animais se assemelham na morte porque os corpos de um e de outro descem ao pó e são consumidos. Mas com relação aos animais não se diz que o "espírito volta a Deus, que o deu" (Ec 12.7).

"O que retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras são igualadas ao fôlego de Deus: "Se Deus. . . recolhesse o seu espírito [ruach] e o seu sopro [neshamah], toda carne pereceria juntamente, e o homem retornaria ao pó" (Jó 34:14-15). O paralelismo indica que o fôlego de Deus é o Seu Espírito transmissor de vida".Vejamos a versão Trinitariana: 
"Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó" (Jó 34.14-15). ...

O Espírito de Deus é Deus. O Espírito Santo é Deus. Não faz sentido dizer que o Espírito divino retorna para Deus. Na verdade, o texto nos diz que se Deus não amasse a humanidade ["pusesse seu coração contra o homem"], e tirasse o fôlego de todos e o espírito que nos foi doado, todos pereceriam. A passagem não serve como argumento para defender a mortalidade da alma.

A afirmação de que quem "retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras são igualadas ao fôlego de Deus", é uma velada negação do Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade. As testemunhas de Jeová dizem que o Espírito é uma força, uma energia.

"Quando, porém, o sopro se vai, tornam-se almas mortas. Isso explica porque a Bíblia freqüentemente se refere à morte humana como a morte da alma (Lv. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Nm. 5:2; 6:6,11; 9:6, 7, 10; 19:11, 13; Ag 2:13)".A exemplo de Lv 19.28: "Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós", e Ageu 2.13: "Se alguém vier a tornar-se impuro, por haver tocado um corpo morto...", nenhum dos textos citados diz que a alma morre junto com o corpo. Nada que possa robustecer a tese mortalista está nesses versículos, que apontam para o "corpo" sem vida, morto. No voto de nazireu havia a restrição de não tocar num corpo morto, que transmitia impureza (Nm 6.6). A mesma restrição é admitida pelo profeta Ageu, ao falar aos sacerdotes, porque fazia parte da lei (cf Nm 19.11-14).

"O que distingue os seres humanos dos animais não é a alma, mas o fato de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, isto é, com possibilidades semelhantes às de Deus, não disponíveis aos animais".Uma característica importante, a mais importante, distingue os homens dos animais: somente a respeito dos homens Eclesiastes diz que quando o corpo desce ao pó, o espírito volta a Deus (Ec 12.7). Somente com relação ao homem, Jesus revelou que a sua alma é imortal: "Não tenham medo daqueles que podem matar o corpo e não podem matar a alma" (Mt 10.28a). Portanto, não somos semelhantes aos animais nem na criação, nem na vida, nem na morte.

"Para impedir à humanidade pecadora a possibilidade de "viver para sempre" (Gn 3:22), após a Queda Deus barrou o acesso à árvore da vida (Gn 3:22, 23)". "Após a Queda, Adão e Eva não mais tiveram acesso à árvore da vida (Gn. 3:22-23) e, conseqüentemente, começaram a experimentar a realidade do processo da morte".A alta simbologia da "árvore da vida" não ficará restrita ao conceito da imortalidade. O assunto foi desenvolvido em tópico anterior, onde lembrei que a mesma árvore surge na nova morada dos justos: "Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus (Ap 2.7). A árvore da vida representa a plenitude da vida eterna. A desobediência do homem resultou não na perda da imortalidade de seu espírito, mas em sua morte física e espiritual, como já explicado. A árvore da vida manifesta-se nos dias de hoje para o homem redimido, e estará na Jerusalém celestial, indicando o pleno retorno às condições no Éden.

"A advertência divina (G. 2:17) estabelece uma clara ligação ética entre a vida e a obediência versus morte e desobediência. A natureza humana não foi criada com uma alma imortal, mas com a possibilidade de tornar-se imortal. A desobediência resultou em morte, não apenas para o corpo, mas para a pessoa inteira. Deus não disse: "no dia em que comerdes dela, vossos corpos morrerão enquanto vossa alma sobreviverá num estado desincorporado". Antes, declarou: "Vós", ou seja, a pessoa inteira, "morrereis".A declaração "certamente morrereis" não revela tudo a respeito do complexo ser humano. Aprendemos que na Bíblia, a exemplo do Messias que começou a ser revelado em Gênesis 3.15, as revelações são progressivas, como foi progressiva a revelação a respeito da imortalidade e sobrevivência da alma. Após a queda, Adão experimentou a morte espiritual ao ver-se afastado de Deus, e ficou potencialmente sujeito à morte física.

"Sumariando, a expressão "o homem se tornou uma alma vivente-nephesh hayyah" apenas significa que em resultado do sopro divino, o corpo inanimado fez-se um ser vivente, que respirava--nada menos do que isso. O coração começou a bater, o sangue a circular, o cérebro a pensar, sendo todos os sinais vitais ativados. Declarado em termos simples, "uma alma vivente" significa "um ser vivo", e não "uma alma imortal". O que distingue os seres humanos dos animais não é a alma, mas o fato de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, isto é, com possibilidades semelhantes às de Deus, não disponíveis aos animais."

"Possibilidades semelhantes às de Deus" é uma afirmação dúbia. Quais possibilidades? Poderíamos dizer que uma dessas possibilidades seria a imortalidade. O próprio Deus destacou a alma como o elemento que distingue os homens dos animais. O animal morre, e nada sobrevive; morre o homem, o espírito imortal sobrevive (Ec 12.7; Mt 10.28). Portanto, é exatamente o contrário do que foi dito.

"A Bíblia traz um relatório de sete pessoas que foram levantadas dentre os mortos (1 Reis 17:17-24; 2 Reis 4:25-37; Lucas 7:11-15; 8:41-56; Atos 9:36-41; 20:9-11), mas nenhuma delas teve uma experiência de pós-morte para compartilhar.

"Não existe forma de vida consciente entre a morte e a ressurreição. Os mortos repousam inconscientemente em suas sepulturas até que Cristo os chame no glorioso dia de Sua vinda".
Mais uma vez tenta-se firmar tese com base no silêncio das Escrituras. Não é boa essa hermenêutica. As doutrinas devem ser apresentadas com base no que a Bíblia diz, e não no que ela não diz. Porque a Bíblia não relata experiências pós-morte, então não existe vida espiritual logo após a morte? Poderíamos dizer que os animais também ressuscitam, pois a Bíblia nada diz a respeito.

O argumento acima desconsidera o fato de que Moisés, apesar de haver morrido há mais de mil anos, apareceu em sã consciência e conversou com Jesus na transfiguração, estando presentes Pedro, Tiago e João (Mt 17.1-9). O profeta Elias, que subiu ao céu num redemoinho, também ali estava. O registro da presença de Moisés no monte da transfiguração é bastante para demolir o dogma da inconsciência dos mortos. Na tentativa de contornar mais esse obstáculo, alegam que é possível que Moisés haja ressuscitado, considerando-se que "o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele..." (Jd 9). Mas onde está escrito que Moisés ressuscitou? O que está escrito na Bíblia é que ele morreu e foi sepultado.

Todos os justos que já morreram estão na presença do Senhor, porque "Deus não é Deus de mortos, mas de vivos" (Mt 22.32). Esta é uma declaração da sobrevivência da personalidade após a morte. Entre a morte e a ressurreição os justos continuam como que vivos para Deus, e aguardam o momento glorioso da redenção do corpo, quando enfim a morte será vencida. Leiam: 
"Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para ele vivem todos" (Lc 20.38). A passagem explica que depois que os patriarcas morreram em seu estado corpóreo continuaram vivendo em outro estado.

"Nenhum texto bíblico autoriza a declaração de que a 'alma' é separada do corpo no momento da morte. O ruach, 'espírito', que faz do homem um ser vivente (cf. Gn 2:7), e que ele perde por ocasião da morte, não é, falando-se apropriadamente, uma realidade antropológica, mas um dom de Deus que retorna a Ele ao tempo da morte. (Ec 12:7)".Nesse caso o argumento do silêncio das Escrituras erra o alvo. A visão adventista da inconsciência após a morte assenta-se sobre dois pilares: Gênesis 2.7, "o homem se tornou alma vivente", e Gênesis 2.17, "certamente morrerás". Os dois textos são citados à saciedade no decorrer do artigo sob análise. Em tópico anterior dissertamos sobre essa questão. A expressão "alma vivente" significa um ser que vive, que se move, que respira. O homem é uma alma no sentido em que ele é um ser vivente, uma pessoa, uma personalidade. O próprio Deus, na Pessoa do Filho, que criou o homem e disse "certamente morrerás", e que veio trazer Boas Novas, nos ensinou que o homem possui uma parte imaterial, o espírito, que se separa do corpo na hora da morte (Mt 10.28). Com isso, Jesus deu mais luz ao contido em Eclesiastes 12.7. Ao dizer ao ladrão arrependido: 
"Hoje estarás comigo no paraíso", Jesus não se referia ao "dom de Deus", à vida do malfeitor. Referia-se à sua personalidade, ao seu espírito, parte invisível e imaterial do seu ser. Ele foi recebido no céu pelo Deus dos vivos, e não dos mortos.

"Primeiramente, não há lembrança do Senhor na morte: "Pois na morte [maveth] não há recordação de Ti; no sepulcro quem te dará louvor?" (Sal. 6:5)".

Já comentamos e refutamos diversos textos apresentados como prova de que não há memória na morte. A contestação e explicação está no próprio versículo. É "no sepulcro", onde jaz o corpo, que ocorre a falta de memória.

"Alguns argumentam que a intenção das passagens que acabamos de citar e que descrevem a morte como um estado de inconsciência "não é ensinar que a alma do homem é inconsciente quando ele morre", e sim de que "no estado de morte o homem não mais pode participar nas atividades do mundo presente". Em outras palavras, uma pessoa morta é inconsciente no que concerne a este mundo, mas sua alma é consciente no que concerne ao mundo dos espíritos. O problema com essa interpretação é que tem por base o pressuposto gratuito de que a alma sobrevive à morte do corpo, um pressuposto que é claramente negado no Velho Testamento. Descobrimos que no Velho Testamento a morte do corpo é a morte da alma porque o corpo é a forma exterior da alma".

"Em vários lugares, maveth [morte] é usada em referência à segunda morte. "Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que haveis de morrer, ó casa de Israel" (Ez 33:11; cf. 18:23, 32). Aqui a "morte do ímpio" obviamente não se refere à morte natural que toda pessoa experimenta, mas aquela infligida por Deus no Fim aos pecadores impenitentes. Nenhuma das descrições literais ou referências figuradas da morte no Velho Testamento sugere a sobrevivência consciente da alma ou espírito à parte do corpo. A morte é a cessação da vida para a pessoa integral."

Houve um lamentável equívoco na exposição da idéia. Em primeiro lugar, por que buscar apoio somente no Velho Testamento? A Palavra de Deus não se estende ao Novo Testamento? Segundo, o texto citado como exemplo não dá suporte à eliminação do corpo e alma juntos. As lentes dos aniquilacionistas enxergam extermínio em qualquer tipo de morte. Mas não é bem assim. Adão morreu, mas não foi exterminado. Nós morremos em Adão, por causa de sua desobediência (1 Co 15.22); os crentes morrem para o pecado, isto é, afasta-se de toda associação espiritual com o sistema pecaminoso do mundo (Rm 6.2; 1 Pe 2;24); morremos de morte natural (Mt 9.24); os ímpios morrem em seus pecados (Jo 8.24).

Vejamos o que diz o verso apresentado como prova: "Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos maus caminhos; pois por que razão morrereis, ó casa de Israel" (Ez 33.11). Em outras palavras, o texto repete Ez 18.20: "A alma que pecar, essa morrerá". Agora, vejamos o que o articulista disse acima:

"Descobrimos que no Velho Testamento a morte do corpo é a morte da alma porque o corpo é a forma exterior da alma".Se a descoberta foi em decorrência dos versículos acima, vê-se claramente que nada foi descoberto. Ezequiel 18.20 e 33.11 falam em morte dos ímpios, isto é, morrem em suas iniqüidades (vv.10,13,18). Não diz que a morte do corpo é a morte da alma, nem diz que se trata de um extermínio nos tempos do fim. A "morte do ímpio" se caracteriza em dois planos:
(a) aqui na terra, pela quebra da comunhão com Deus (Tg 1.15), significando morte espiritual, tal como aconteceu com Adão logo após desobedecer (Gn 3.7-10);
(b) a morte eterna, caracterizada pela separação definitiva e irremediável entre o pecador e Deus, após a ressurreição de que trata Jo 5.29 e Apocalipse 20.5. A morte eterna é entendida como a segunda morte, o lago de fogo - mais adiante explicado -, onde serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).

"Não há qualquer indicação de que a alma de Lázaro, ou das demais seis pessoas levantadas da morte, tenha ido para o céu. Nenhuma delas teve uma "experiência celestial" para narrar. A razão disso é que nenhuma ascendeu ao céu. Isso é se confirma na referência de Pedro a Davi em seu discurso no dia de Pentecoste: "Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente, a respeito do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado e o seu túmulo permanece entre nós até hoje" (Atos 2:29). Alguns poderiam argumentar que o que estava na sepultura era o corpo de Davi, não sua alma que havia ido para o céu. Essa interpretação, porém, é negada pelas explícitas palavras de Pedro: "Porque Davi não subiu aos céus" (Atos 2:34). A tradução de Knox assim reza: "Davi nunca subiu para o céu". A Bíblia de Cambridge traz a seguinte nota: "Pois Davi não ascendeu. . . Ele desceu à sepultura e 'dormiu com os seus pais'". O que dorme na sepultura, segundo a Bíblia, não é meramente o corpo, mas a pessoa integral que aguarda o despertar da ressurreição".O simples fato de não haver relato das "experiências celestiais" não prova nada. Não é boa a hermenêutica que busca apoio no silêncio da Bíblia. Vejamos o contexto em que se insere "Porque Davi não subiu aos céus": "A respeito dele [de Cristo] disse Davi: Porque tu não me abandonaste no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição... Posso dizer que o patriarca Davi morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até o dia de hoje... Prevendo isso, ele falou da ressurreição do Cristo, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição. Pois Davi não subiu aos céus..." (At 2.25-34).

Pedro explicou que a afirmação de Davi (Sl 16.10) não se referia ao próprio Davi, e sim a Jesus, que realmente ressurgiu dos mortos. Conclui dizendo que não foi o corpo de Davi que ressuscitou, pois o patriarca morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até o dia de hoje" (v.29). ... "Porque não foi Davi quem subiu para o céu" (anabainõ-subir, ascender, levantar-se). Que o espírito de Davi foi imediatamente para o céu não há dúvida, à vista das diversas passagens bíblicas aqui citadas, e também porque ele era "homem segundo o coração de Deus" (At 13.22). É da vontade de Deus que os seus, a exemplo de Moisés, Elias, Enoque e o ladrão arrependido subam logo para o céu.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). O destino dos que recusam crer é a destruição ("perecer"), e não a salvação universal".No tópico sob o título "extermínio dos ímpios" o assunto foi amplamente analisado e refutados os argumentos contrários. Faz parte da visão dos mortalistas ver extermínio em tudo. O mesmo verbo apollumi-perecer, de João 3.16, é usado, por exemplo, em Romanos 14.15: "Não destruas [ou faças perecer] por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu"; e em 1 Co 8.11: "E, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu". Não se há de admitir que o irmão seja exterminado nesta vida terrena ou depois de ressuscitado. Então, entenda-se "perecer", em João 3.16, como arruinar-se, afastar-se de Deus, perder a fé, perder-se, desviar-se do caminho.

"A solução sensata aos problemas do ponto de vista tradicionalista deve ser encontrada, não por rebaixar ou eliminar o quociente de dor de um inferno literal, mas aceitando-se o Inferno por aquilo que realmente é - a punição final e permanente aniquilamento dos ímpios. Como declara a Bíblia, "Mais um pouco de tempo e já não existirá o ímpio; procurarás o seu lugar, e não o acharás", porque "o destino deles é a perdição" (Fil. 3:19).A tese sobre o aniquilamento está mal formulada ou mal explicada. A morte natural é considerada como aniquilamento? Considerando que os ímpios ressuscitarão (Ap 20.5), a pena capital ocorrerá logo após ressuscitarem? Neste caso, qual seria a finalidade da ressurreição deles? Ressuscitariam, seriam castigados por um tempo de acordo com suas obras, e depois seriam exterminados? Neste caso, não seria melhor não revivê-los? 3

Referindo-se a Ezequiel 33.11, o articulista afirma que a "morte" ali referida "obviamente não se refere à morte natural que toda pessoa experimenta, mas aquela infligida por Deus no Fim aos pecadores impenitentes".

Depreende-se que ao afirmar que "o destino deles é a perdição" o adventismo admite que o extermínio será o do corpo ressurreto, uma vez que não admite a existência de uma alma em sofrimento consciente. Retornamos ao seguinte questionamento: os ímpios reviverão para morrer? Sairão da sepultura para morrerem em seguida? Qual seria a finalidade da ressurreição dos ímpios (Ap 20.5)?

O inferno/lago de fogo e enxofre é lugar de prisão, desprezo, vergonha. Os anjos que pecaram foram lançados no inferno, presos em "abismos tenebrosos" (2 Pe 2.4; cf. Jd 6;cf Ap 20.7). O tormento é eterno, "para todo o sempre" (Ap 20.10).

"Mas não há ressurreição da segunda morte, pois os que a experimentam são consumidos no que a Bíblia chama "o lago de fogo" (Ap. 20:14). Esse será o aniquilamento final".A refutação está no próprio capítulo, 
verso 10: "E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta [e para onde irão os ímpios, cf. verso 15]. De dia e de noite serão atormentados, para todo o sempre". Todas as versões consultadas falam num tormento sem fim. O comentário da Bible Online (GILL), assim traduz: "E serão atormentados dia e noite para sempre; quer dizer, não só o diabo, mas a besta e falso profeta, porque a palavra está no plural: e este será o caso de todos os homens maus, de todos os inimigos de Deus e Cristo; é uma prova da eternidade de tormentos do inferno".

"Não há existência independente do espírito ou alma à parte do corpo. A morte é a perda do ser total, e não meramente a perda do bem-estar. A pessoa inteira repousa na sepultura num estado de inconsciência caracterizado na Bíblia como "sono". O "despertar" desse sono terá lugar quando Cristo vier e chamar de volta à vida os santos adormecidos".Então, anulemos tudo aquilo o que na Bíblia define como visão dualista, sobrevivência e consciência da alma após separar-se do corpo. Desprezemos, por exemplo, o relato dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas que falam da Transfiguração de Jesus, onde apareceu Moisés, que havia morrido há mais de mil anos (Mt 17.1-8; Mc 9.1-8; Lc 9.28-36). Quem estava ali? Uma saída honrosa seria dizer que era o "sopro" personificado de Moisés ou um fantasma. Nada disso. Era Moisés mesmo, confirmando que na morte a parte imaterial chamada espírito se separa e segue o seu destino: os de Cristo seguem diretamente para o céu. Sobre Moisés, escrevi numa determinada lista de discussão, onde o assunto entrou em debate:


Pensei pudesse receber melhor contribuição dos adventistas, ainda que contrária à minha crença, com relação ao aparecimento do falecido Moisés no monte da Transfiguração. O argumento contrário é bem vindo para que possa refutar com responsabilidade.

O que vi, todavia, foi a alegação de que Jesus não iria participar de uma sessão espírita, haja vista a proibição para tal prática (Is 8.19). Ora, o que está em pauta não é isso. Essa argumentação seria mais válida para ser apresentada por um espírita, em defesa da comunicação com os mortos.

O que sobressai é que a Palavra diz que Moisés, falecido, apareceu no monte da Transfiguração e falou com Jesus. Dizer que isso equivale a uma sessão espírita e que por isso mesmo não pode ser levado em conta, é não encarar de frente a questão.

Mas vamos lá. Na Transfiguração não se caracterizou uma sessão espírita como a conhecemos. Não houve intermediário, um médium entre o morto Moisés e Jesus. Não ocorreram manifestações mediúnicas. Moisés conversou com o Senhor Jesus como se estivesse no céu. Os apóstolos que presenciaram o fato não conversaram com o morto Moisés nem com Elias. Estes e Jesus conversaram entre si.

A Transfiguração (metamorphoõ) de Jesus se caracterizou por uma mudança radical do seu corpo; o termo denota alteração substancial, mudança completa. Então, o Filho de Deus se apresentou ali com a Sua natureza divina plena, da mesma forma como os apóstolos O viram na ascensão. Somente nessa condição falou com o morto Moisés. Não cito Elias porque este não passou pela morte; foi trasladado. Vejam que o rosto de Jesus "resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz" (Mt 17.2).

Menos desastroso argumento, embora natimorto, seria dizer que ali estava o "sopro personificado de Moisés", ou que tudo isso é um simbolismo, que na verdade Moisés quer dizer Lei, e Elias quer dizer profetas. Seriam argumentos completamente refutáveis, mas muito mais dignos do que dizer que não podia ser Moisés porque Jesus não iria participar de uma sessão espírita.

"Como no serviço típico do Dia da Expiação, os pecadores impenitentes eram "eliminados" e "destruídos", assim no cumprimento antitípico do juízo final, os pecadores "sofrerão penalidade de eterna destruição banidos da face do Senhor" (2 Ts 1:9).A palavra "destruição" e as equivalentes perecer, eliminar e aniquilar ocorrem 66 vezes no artigo sob exame. Portanto, estamos realmente diante da doutrina do aniquilacionismo.

... Apõleia-destruição/perdição tem o significado de separação, "perda de felicidade, de bem-estar, não de ser". Poderíamos traduzir assim: "Sofrerão a pena da eterna separação de Deus". .... São expulsos, perdem o privilégio de viverem para sempre com o Senhor. .... Deus elimina e separa? Ora, se vão ser exterminados não há porque separá-los. Os ímpios ficarão eternamente separados.

Em nenhum momento o autor do artigo sobre a visão holística faz qualquer comentário sobre os castigos diferenciados. Como conciliar a doutrina da punição proporcional às faltas cometidas com o conceito holístico o extermínio puro e simples? Ora, a punição diferenciada como resultado do julgamento segundo as obras espelha a reta justiça de Deus. A pena capital nivelaria todas as faltas cometidas. Todos pagariam igualmente com a morte, qualquer que fosse o nível de suas culpas.

Sobre a ressurreição dos ímpios, revela o artigo:

"Mas não há ressurreição da segunda morte, pois os que a experimentam são consumidos no que a Bíblia chama "o lago de fogo" (Ap 20:14). Esse será o aniquilamento final". A Bíblia, contudo, faz uma distinção entre a primeira morte, que todo ser humano experimenta em resultado do pecado de Adão (Rm 5:12; 1 Co 15:21), e a segunda morte experimentada após a ressurreição (Ap 20.5) como salário pelos pecados pessoalmente cometidos (Rm 6.23).Admitem os mortalistas que os ímpios, após ressuscitarem (Jo 5.29; Ap 20.5), serão eliminados. Determinado adventista disse que "a ressurreição do ímpio é o prelúdio de sua destruição". Deus agiria assim para que os ímpios morram "conscientes" de sua punição? Ora, na morte não há consciência. Apesar de já estarem mortos, Deus faria ressurgir bilhões de corpos para em seguida queimá-los no lago de fogo e enxofre. Para quê, se eles já estavam mortos?

O lago de fogo não é uma espécie de matadouro, um lugar de extermínio. É um lugar de vergonha, desprezo, angústia, tristeza por que passarão os que lá estiverem, pelos séculos dos séculos. A mesma expressão grega usada em Apocalipse 20.10, "serão atormentados para eis tous aiõnas ton aiõnõn-todo o sempre", é usada em Hebreus 1.8, referindo-se à duração do trono de Deus, eterno no sentido de interminável; em 1 Pedro 4.11, concercente à Sua glória e domínio para sempre; em Apocalipse 1.8, sobre a eternidade do Cordeiro.

Acompanhem a seguinte seqüência de eventos e comprovem que a "segunda morte" não é uma aniquilação, mas um estado eterno de separação de Deus:
Apocalipse 19.20 - A besta e o falso profeta são lançados vivos no lago de fogo.
Apocalipse 20.2 - Satanás é amarrado por mil anos.
Apocalipse 20.5 - Os outros mortos reviveram após os mil anos.
Apocalipse 20.7 - Satanás será solto da sua prisão.
Apocalipse 20.10 - O diabo foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta. De dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.
Apocalipse 20.15 - Serão lançados no lago de fogo todos os não inscritos no livro da vida.
Observem que passados mil anos (Ap 19.20) a besta e o falso profeta ainda se encontravam vivos no lago de fogo (Ap 20.10) e continuarão no mesmo eterno estado de ruína, sendo atormentados dia e noite. Diante das evidências, falece, porque não bíblica, a tese da aniquilação dos ímpios.

"Descobrimos que tanto o Velho quanto o Novo Testamento claramente ensinam que a morte é a extinção da vida para a pessoa integral. Não há lembrança nem consciência na morte (Sl 9:5; 146:4; 30:9; 115:17; Ec 9:5). Não há existência independente do espírito ou alma à parte do corpo. A morte é a perda do ser total, e não meramente a perda do bem-estar. A pessoa inteira repousa na sepultura num estado de inconsciência caracterizado na Bíblia como "sono". O "despertar" desse sono terá lugar quando Cristo vier e chamar de volta à vida os santos adormecido".Sobre o "sono da alma" já discorremos em análise anterior, neste estudo. O simples fato de a Bíblia usar a expressão "dormir" para os crentes mortos não pode ser traduzido como uma declaração de não sobrevivência da alma. Eclesiastes 9.5 deve ser entendido com os versos 6 e 10 seguintes: não há entendimento "debaixo do sol" nem na "sepultura". Nesta, morrem os projetos humanos. Há, sim, vida após a morte, em razão da imortalidade da alma. A vontade dos adventistas e demais contradizentes é que os homens, na morte, sejam iguais aos animais. Todavia, somente no caso dos homens se diz que o corpo desce à sepultura, mas o espírito volta a Deus. Ora, os animais também receberam o fôlego de vida diretamente do Criador. Por que razão ao morrerem seus "espíritos" não se separam?

Salmos 9.5 fala da vitória de Davi sobre os inimigos do Deus de Israel, que pode ser uma alusão aos Amalequitas, quase totalmente aniquilados no reinado de Saul (1 Sm 15.1-9). Os sobreviventes dessa nação inimiga foram exterminados pelo salmista Davi (1 Sm 30). O exemplo não pode servir para estabelecer doutrina sobre o aniquilamento dos ímpios. Nem todos os ímpios são exterminados da mesma forma. A maioria morre de morte natural, como morrem também os justos. O salmista diz que seus nomes estão apagados para sempre. Sim, seus nomes, aqui na terra estão apagados. Serão lembrados na ressurreição (Ap 20.5) para receberem o castigo eterno. Portanto, o exemplo do Salmo 9.5 é inadequado como apoio ao ensino do aniquilamento, quer da alma, quer dos ímpios.

Salmos 146.4, citado pelo adventista, diz que na morte perecem os pensamentos dos homens. A mensagem fala da fragilidade dos propósitos humanos, que em decorrência da morte não conseguem dar-lhe curso. Por isso, o salmista diz para não confiarmos em homens (v. 3), mas depositarmos a nossa esperança no Senhor (v.5). "Naquele dia perecem os seus pensamentos" nada diz sobre a inconsciência do espírito que na morte se separa do corpo.

Salmos 30.9 ressalta uma realidade: "Porventura te louvará o pó?". Trata-se de um "cântico para a dedicação do templo". A palavra hebraica yãdãh-louvar é usada como expressão de adoração, agradecimento ou louvor público-congregacional. Na morte, o salmista estaria impedido de dar testemunho público no meio da congregação (cf. Sl 22.12,22; 35.18). Nesta concepção, somente os vivos louvam (Is 38.18-19). O salmista conclui afirmando: 
"Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre" (Sl 30.12). Todavia, "as almas dos mortos", cuja redenção ainda não se completou pela ressurreição do corpo, estão no céu louvando a Deus continuamente (Ap 6.9,10; cf Ap 19.4-7).

Quando a Bíblia diz que os mortos não louvam ao Senhor (Sl 115.17) e sua memória jaz no esquecimento (Ec 9.5), está falando de não haver memória neste mundo, mas certamente há memória deste mundo. Salomão esclarece ao dizer que "na sepultura, para onde vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (Ec 9.10). Na morte, os projetos humanos são findos. A Bíblia ensina que a alma sobrevive à morte num estado consciente de conhecimento.

"Outro bom exemplo se acha em 2 Ts 1:9 onde Paulo, falando a respeito dos que rejeitam o evangelho, declara objetivamente: "Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do Seu poder".

Evidentemente a destruição dos ímpios não pode ser eterna em duração porque é difícil imaginar um processo eterno, inconclusivo de destruição. A destruição pressupõe aniquilamento. A destruição dos ímpios é eterna, não porque o processo de destruição continue para sempre, mas porque os resultados são permanentes. Do mesmo modo, os resultados da "punição eterna" de Mat. 25:46 são permanentes. É uma punição que resulta em sua eterna destruição ou aniquilamento".
Entenda-se "destruição eterna" como eternamente arruinados, perdidos, abandonados, banidos da face do Senhor. Estarão destruídos porque separados para sempre do Senhor: ...

O termo olethros-perdição, ruína, destruição é usado no Novo Testamento em quatro casos, e em nenhum deles significa extermínio (1 Co 5.5; 1 Ts 5.3; 2 Ts 1.9; 1 Tm 6.9). Exemplo: 
"Os que querem ficar ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína" (1 Tm 6.9). Na Bíblia, nem sempre a palavra original traduzida como destruir/destruição significa literalmente exterminar ou aniquilar: "O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento...também eu te rejeitarei..." (Os 4.6). Vejam o termo hebraico shahat-destruir com o significado de ser vencido, rejeitado, derrotado, arruinado espiritualmente. Os israelitas eram "destruídos" porque rejeitavam deliberadamente a verdade que Deus lhes revelara através dos profetas e de sua Palavra escrita. Outro exemplo: "Porque no Filho do Homem não veio para destruir [apollumi] as almas dos homens, mas para salvá-las" (Lc 9.56).

Então, banidos da presença de Deus, de sua majestade e glória, estarão em ruína, destruídos, desprezados, envergonhados, punidos com eterno castigo (2 Ts 1.9; Dn 12.2; Mt 25.46; 2 Pe 2.9; Ap 20.10).

"Antes de analisarmos a parábola, precisamos nos lembrar que contrariamente a uma alegoria como O Peregrino, onde cada detalhe conta, os detalhes de uma parábola não têm necessariamente algum significado em si mesmos, exceto como "pontos de apoio" para o relato. A parábola tem o propósito de ensinar uma verdade fundamental, e os detalhes não têm um significado literal, a menos que o contexto indique doutra forma. A partir deste princípio outro se desenvolve, ou seja, somente o ensino fundamental de uma parábola, confirmado pelo teor geral das Escrituras, pode ser legitimamente usado para definir doutrina.

A tentativa de Peterson de extrair três lições da parábola ignora o fato de que a sua principal lição é dada na linha conclusiva: "ainda que ressuscite alguém dentre os mortos" (Luc. 16:31). Esta é a principal lição da parábola, ou seja, nada ou ninguém pode superar o poder convincente da revelação que Deus nos concedeu em Sua Palavra. Interpretar Lázaro e o homem rico como representantes do que ocorrerá aos salvos e perdidos imediatamente após a morte significa querer captar da parábola lições estranhas a sua intenção original.
O articulista fez uma ampla exposição da parábola do rico e Lázaro (Lc 16.19-31), do que extraímos algumas referências, como acima. Em suma, diz que não devemos levar em conta tudo o que foi dito por Jesus. Estabelece como principal lição da parábola "o poder convincente" da Palavra de Deus.

Todos esses argumentos objetivam contornar uma preocupante e incômoda afirmação: 
"Morreu o mendigo [Lázaro] e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão" (Lc 16.22). Simples e bela como uma flor, a afirmação de Jesus atinge em cheio a tese dos mortalistas de completa inconsciência depois da morte e de não sobrevivência da personalidade do homem.

Jesus teria cometido o deslize de causar tremenda confusão entre as gerações futuras ao dizer que três almas - Abraão, Lázaro e o rico - haviam se apartado do corpo, na morte, e estavam, conscientes, em seus devidos lugares, mesmo sabendo que a alma morre com o corpo? Improvável.

Na parábola do rico e Lázaro não há apenas uma verdade. Há várias lições que dela podemos extrair. A primeira, é que na morte o espírito se separa do corpo, e os salvos irão imediatamente para a presença do Senhor (Cf. Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 8.55; 23.43,46; At 7.59; Fp 1.21,23; 2 Co 5.1,8; Ap 6.9; 20.14). A segunda, é que o estado de tormento ou de bem-aventurança após a morte é um estado consciente e irreversível. A terceira, é que os espíritos dos mortos não podem sair de onde estão para auxiliar os vivos. A quarta, é que o meio eficaz de salvação é crer em Jesus e na sua Palavra.



 (22.04.2003)
Airton Evangelista da Costa E-Mail: aecosta@secrel.com.br , www.secrel.com.br/usuarios/aecosta 



Solascriptura-TT somente usa a ACF (Almeida Corrigida Fiel), da SBT (Sociedade Bíblia.Trinitariana do Brasil). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).



(Copie e distribua ampla mas gratuitamente, mantendo o nome do autor e pondo link para esta página de http://solascriptura-tt.org)


(retorne a http://solascriptura-tt.org/ AntropologiaEHamartologia/ 
retorne a http:// solascriptura-tt.org/ )

23/04/2015

A CRIAÇÃO DOS FILHOS


                   Há um propósito divino para cada criança que vem ao mundo. Apesar da nossa capacidade reprodutora, sem dúvida, a mão do Senhor Se faz presente em cada concepção.
                  Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas
foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia. Salmo 139.16
                Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Salmo 22.10
               Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta. Jeremias 1.5
               Nesses versículos, verificamos que, mesmo antes de sermos formados no ventre materno, o Senhor já nos conhecia. Imagine, então, o crime que comete uma pessoa que pratica o aborto!
               O diabo sempre lutou contra a concepção. Ele tentou impedir a vinda de Jesus a este mundo de várias formas, inclusive através dos próprios filhos de Judá, Er e Onã, que se recusaram a suscitar a descendência do irmão falecido e foram mortos pelo Senhor (Gn 38).
              Quando Satanás não consegue impedir o nascimento de uma pessoa, ele faz tudo para que ela não ocupe o lugar, a posição, que Deus almeja para ela.
Herança do Senhor
              O nosso conhecimento de que há um propósito divino para a vida de cada pessoa é ampliado quando descobrimos na Bíblia a declaração de que os filhos são herança do Senhor.
               Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão. Salmo 127.3
    Ao sermos informados pela Palavra de Deus de que os filhos são herança do Senhor, percebemos nossa responsabilidade na criação deles, pois estamos cuidando não somente dos nossos filhos, mas também da herança do Senhor.
             Com esse entendimento, nossa responsabilidade parece aumentar. Não podemos tratá-los como se fossem “ferinhas”, que precisam ser amansadas na base do chicote, nem deixá-los fazer o que quiserem. A Palavra nos orienta sobre o modo correto de criá-los:
            A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe. Provérbio 29.15
          A estultícia [a tolice, a insensatez] está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele.Provérbio 22.15
        Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele. Provérbio 22.6
          Vale observar que a vara da correção mencionada em Provérbios 29.15 é a Palavra do Senhor (conforme analisaremos adiante). Mas, às vezes, é necessário usarmos a vara, em seu sentido literal, pois uma pequena dose de disciplina física, usada corretamente, não fará mal algum.
           Alguns pais vão de um extremo ao outro. Há quem viva espancando os filhos, e quanto mais espancados, piores eles ficam, pois o que esse tipo de “disciplina” produz é rancor, ódio e outros traumas. E, por outro lado, há pais que deixam os filhos fazerem o que quiserem; pais que seguem a orientação de “doutores”, de gente que ensina que o melhor caminho para a educação dos filhos é a liberdade total e completa. Porém, quando os filhos não recebem limites, ao tornarem-se adultos, além de já terem dado aos pais toda a espécie de aborrecimentos, amargarão dias difíceis, pois não foram preparados para a vida.
            Seguir o método de Deus na criação dos filhos é usar o melhor, é garantir grandiosos resultados. Trocar a sabedoria do Senhor pelos conceitos dos homens é enveredar por um caminho de sofrimentos.
            Cada criança possui características próprias, individuais, e somente na Palavra do Senhor encontramos as condições de suprir todas as necessidades delas. A Palavra tem a habilidade e a capacidade para admoestar, convencer e edificar plenamente uma vida.
Nosso modo de viver — a melhor lição
             Invariavelmente, os pais ditarão aos filhos a maneira de viver; não só pelo que falam ou tentam impor à prole, mas pelo modo como vivem.
              Os pais que não praticam a Palavra, que não vivem dEla e por Ela, sabem pouquíssimo de Deus para transmitir aos filhos. Podem ser pessoas dedicadas à família, colocar os filhos em bons colégios, dar boa alimentação e esforçar-se ao máximo para que seus filhos tenham do bom e do melhor, mas, se a vida íntima não estiver fundamentada e edificada na Palavra, os filhos não conseguirão aprender com os pais sobre o que mais precisam na vida: o conhecimento do Senhor.
                Sem a orientação das Escrituras, o pior pode sobrevir; os filhos podem assimilar dos próprios pais ou de outras pessoas maus hábitos, modos estranhos de vida, não-originados nem fundamentados na Palavra, os quais farão com que trilhem caminhos tortuosos.
               Os pais cristãos têm a obrigação de viver piedosamente, de praticar a Palavra, afinal, todos nós somos cartas vivas, lidas por todos, principalmente pelos nossos filhos.
                  Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. 2 Coríntios 3.3
                Precisamos ficar atentos para não cometermos o mesmo erro dos fariseus, que conheciam a Palavra do Senhor, mas não A praticavam; embora obrigassem outros a total obediência a Ela.
                É fácil gritar com os filhos, chamá-los à responsabilidade, bem como explicar para eles como a Palavra os orienta a viver. No entanto, se nós mesmos não vivermos de acordo com as orientações bíblicas, eles constatarão que não há sinceridade em nós, e, definitivamente, recusar-se-ão a seguir os nossos conselhos, mas seguirão os nossos passos. Nós somos os seus mestres.
                  Na verdade, não há quem consiga mentir ou enganar usando a Palavra de Deus. Não se pode simular uma crença na Escritura Sagrada apenas a fim de educar os filhos. Por isso, os pais, antes mesmo de pensar em usar a Palavra para edificar a família, deveriam submeter-se a Ela, vivendo-A e praticando-A. Para que a Palavra seja aceita, é necessário que Ela seja ensinada e ministrada aos corações pelo Espírito Santo, e Este Se ausentará de qualquer pessoa que tenha outros propósitos para a Palavra, além daqueles designados por Deus.
EXCESSO DE LIBERDADE
             O ensino evolucionista, proposto por Darwin e desenvolvido pelos seus inumeráveis discípulos, tentou reduzir o homem, criado à imagem e semelhança espiritual de Deus, a um animal que evoluiu naturalmente, ate tomar-se um ser racional
             Esse tipo de teoria é contrário às verdades bíblicas, as quais muitos cientistas rotulam de tabus religiosos, que precisam ser destruídos.
             O ensino secular tem conseguido muitas vitórias, inclusive, no meio do povo de Deus, onde encontramos pessoas que pregam a liberação total de tudo.
            Enganam-se os cristãos que pregam teorias que contradizem a Palavra de Deus e agem conforme esses ensinos errôneos. Os frutos que eles colherão dessa semeadura serão por demais amargos. A Palavra é a nossa Fonte de inspiração e poder.
             Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas rotas, que não  retêm as águas. Jeremias 2.13
              Para aqueles que abandonam a Palavra e se dão a este tipo de prática, afastando os pequeninos do Mestre, temos a seguinte advertência do Senhor Jesus:
               E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos. Lucas 17.1,2
                 Na Bíblia, temos inúmeras orientações sobre como deve ser o relacionamento familiar. Examinando bem as Escrituras, veremos que existem coisas que a Palavra nos manda fazer, e não fazemos; há outras que Ela condena, as quais praticamos. Aos que não dão atenção à Palavra, ou relegam-Na a segundo plano, o Espírito Santo diz:
                O que despreza a palavra perecerá, mas o que teme o mandamento será galardoado. Provérbio 13.13
A conversão acarreta mudança
                 É comum o fato de algumas pessoas terem aceitado o Senhor Jesus como Salvador, mas talvez, por falta de conhecimento ou desobediência à Palavra, ainda não terem mudado sua maneira de viver. Alguns ainda vivem como antes de conhecerem Cristo.
                 Quando alguém se converte verdadeiramente, aceitando Jesus como Salvador e Senhor, a natureza de Deus é implantada no ser dessa pessoa. Se a natureza divina não prevalece, transformando essa pessoa, é bem possível que ela ainda não tenha sido salva; pois, quando alguém é salvo, toma-se uma nova criatura.
                 Alguns receberam uma criação liberal, na qual, por exemplo, era comum que os pais e filhos se despissem uns diante dos outros ou andassem em trajes sumários, dentro de casa. Em alguns casos, até os banhos poderiam ser tomados coletivamente; pais e filhos juntos — esses tipos de procedimentos a Bíblia condena.
             Não descobrirás a nudez de teu pai e de tua mãe; ela é tua mãe; não descobrirás a sua nudez. Levítico 18.7
                A questão dos filhos verem a nudez dos pais é tão séria, que o filho de Noé, chamado Cam, pai de Canaã, foi amaldiçoado, porque viu a nudez de seu pai.
               E despertou Noé do seu vinho e soube o que seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. Gênesis 9.24,25
               Há ainda, na Bíblia, outras passagens que versam sobre esse assunto (não as mencionaremos aqui a fim de não nos estendermos muito). Muitas dessas passagens não se referem a estar totalmente despido, mas sem roupa suficiente ou apenas com roupas íntimas.
              Para que a vida seja vivida no mais alto nível, deve estar cercada de “poesia”. Quando as coisas que nos rodeiam são acatadas de modo leviano, o respeito, a honra e a graça são perdidos.
A Vara da correção
            Os pais cristãos precisam aprender a usar a Vara da correção.
           O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga. Provérbio 13.24
           Muitos pais, sem entender o significado deste versículo, descarregam nos pequeninos todo ódio reprimido que têm no coração. Há quem acredite que, somente por meio do espancamento, os filhos entrarão no verdadeiro caminho.
          Quem espanca os filhos e diz que o Senhor, através da Sua Palavra, orientou-os a agir assim, está cometendo dois graves erros: primeiro o da covardia, pois um adulto descarrega em uma criança a sua força bruta, em uma hora de raiva; segundo, o de acusar o Senhor de ter-lhes orientado a praticar tal monstruosidade.               A Vara de correção a que a Bíblia se refere é a Palavra do Senhor.
              Quando Adão pecou, ele se afastou da Palavra do Senhor. Hoje, nós já nascemos afastados do Senhor, com a nossa mente pervertida e contaminada pelo pecado. Somente a Palavra pode corrigir-nos, dando-nos condições para voltarmos a Senhor, ao Caminho certo.
             A Palavra é a Vara que deve ser usada na educação das crianças. Sempre que elas errarem, devemos levá-las a entender o que fizeram e, com brandura e docilidade, fazê-las reparar o erro. O nosso modo de disciplinar os filhos deve ser o mesmo que gostaríamos que alguém usasse para instruir-nos.
            E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira fazei-lhes vós também. Lucas 6.31
            Também existem aqueles que acham que seus filhos jamais erram, mentem ou enganam. Esses pais não conhecem o que a Palavra afirma sobre todos os seres humanos. Os nossos filhos são parecidos com os dos outros; são semelhantes a todas as pessoas.
           Podemos ter certeza de que os nossos filhos, bem como os dos outros, continuarão no erro, “aprontando”, até que nasçam de novo e comecem a viver de acordo com a Palavra de Deus. Não há quem viva corretamente sem ter provado o novo nascimento. Uns erram mais do que os outros, mas sempre haverá um grau de iniqüidade em todo ser humano.
            Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Romanos 3.10
“PAU QUE NASCE TORTO...”
             Comumente, ouvimos de certos pais uma confissão satânica: “Este meu filho não tem jeito. Ele não vai dar em nada na vida”. Há quem diga que “pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto”.
             Isso não é verdade; tanto em relação aos nossos filhos, quanto a qualquer ser humano, não há um só caso perdido para Deus. O problema é que, se a pessoa ainda não aceitou Jesus como Salvador, pertence ao império das trevas e, por pertencer a esse domínio, é levado pelas forças do mal a agir do modo errado.
           Alguns estão tão presos pelo poder do diabo, que é necessário um esforço enorme para arrancá-los do inimigo.
                  Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós. Gálatas 4.19
                  Observe esse ensinamento de Jesus:
             Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, a vós é chegado o Reino de Deus. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem. Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos. Lucas 11.20-22
A batalha da salvação
                A salvação de qualquer um é uma verdadeira guerra espiritual. Em alguns casos, a luta é mais acirrada, pois a potestade maligna encarregada de monitorar aquela determinada vida é persistente. Mas não existe caso difícil ou impossível para o Senhor, pois a conversão independe do querer da pessoa.
             No entanto, alguns pais desprezam a orientação da Palavra de Deus, chegando a pensar que sua prole não precisa de conversão. Não entendem que por trás da incredulidade dos seus queridos filhos encontra-se a resistência do inimigo; um plano do diabo. Por serem cristãos e seus filhos terem um comportamento bom e aceitável, pensam que estes não se convertem porque não querem; que os filhos não são tão ruins assim; que a qualquer momento eles estarão na igreja e, finalmente, servirão a Jesus.
             Há outros pais que aceitam as desculpas do diabo: “O pastor pede muito; o pastor é chato; a igreja fica longe de casa; seu filho está preparando-se para as provas, para se casar; ele está trabalhando muito; quando chegar a hora, ele se converterá” etc.
                   Os pais que aceitam esses argumentos deixam-se enganar. Os aparentes motivos para afastar alguém da igreja são ilusões criadas pelo diabo e, na maioria dos casos, a própria pessoa sabe que se tratam de mentiras, de desculpas; mas mesmo assim pode acabar agradando àquele que deseja ceifar a sua vida: Satanás.
                    É necessário que os convertidos quebrem os grilhões satânicos que aprisionam seus filhos e entes queridos, usando a Palavra de Deus e o Nome de Jesus. Aqueles que forem libertos dos laços diabólicos aceitarão Cristo imediatamente e servirão a Deus, mesmo na igreja em que “viam” tantos problemas.
                A maioria daqueles que nasceu de novo conseguiu libertação, porque um cristão intercedeu por eles, e a Palavra do Senhor quebrou as amarras malignas que os prendiam.
Para que os seus queridos filhos sejam salvos, faz-se necessário:
1. Reivindicá-los para Deus, quebrando assim o poder do diabo na vida deles.
2. Parar de dizer que “pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto”, pois declarar isso é concordar com o diabo.
               Aquele que impede alguém de ver a Luz é o diabo. Em alguns casos, ele é tão “valente” e persistente em ceifar uma vida, que parece que a pessoa jamais se converterá. Mas a Bíblia garante:
                Tirar-se-ia a presa ao valente? Ou os presos justamente escapariam? Mas assim diz o Senhor: por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano escapará; porque eu contenderei com os que contendem contigo e os teus filhos eu remirei. Isaías 49.24,25


A salvação dos filhos
             Quão triste será para um pai e uma mãe ver, no dia do Juízo, o seu amado filho à esquerda do Rei e ouvir dEle:
             Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Mateus 25.41
              Isso é o que muitos constatarão sobre os mais “consagrados” filhos de Deus: trouxeram os filhos ao mundo, mas não souberam levá-los à Luz.
           Um lindo exemplo de um servo de Deus que se preocupava com a salvação de sua família foi Josué. Ele disse:
           Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR. Josué 24.15
           A salvação da família é um assunto tão sério e importante, que deveríamos fazer um estudo profundo sobre ele. Deveríamos reunir todos os familiares e explicar-lhes que sem o novo nascimento todos irão para a perdição eterna. E, ainda reunidos em família, dar a cada um a oportunidade de ser salvo.
             Acredito que a época certa de levar os pequeninos a Deus é quando se percebe que eles já raciocinam bem, já possuem algum entendimento. Então, os pais devem levar os filhos a um lugar onde possam ficar a sós com eles, e contar-lhes toda a verdade sobre a criação; sobre a queda de Adão, a qual fez com que o pecado entrasse no mundo; sobre a vinda de Jesus e a obra redentora que Ele fez na cruz, para a salvação do homem.
              Os progenitores também devem conscientizar a criança de que eles não a castigarão se ela não aceitar Jesus; de que ela não é forçada a tomar a decisão. Devem deixar o Espírito Santo fazer a obra. Após terem explicado toda a verdade, devem dar a oportunidade a criança de aceitar ou não Jesus, orando no Espírito, a fim de que ela O receba.
           Eu fiz a decisão por Cristo quando tinha mais ou menos seis anos de idade. Penso que, aproximadamente, nessa faixa etária, a criança tem condições de fazer a sua decisão.
          Antes que o diabo destrua os nossos filhos, podemos levá-los a Deus.
ELES APRENDEM FAZENDO
                   Atualmente colhemos violência, vandalismos, imoralidades, crimes, tanto mal, porque a geração passada plantou essas sementes. Os bandidos de hoje foram as crianças de ontem. Algumas foram mimadas; permitiu-se que elas fizessem tudo o que queriam, e isso facilitou que aprendessem o caminho do erro.
                 É pouco provável encontrar em uma penitenciária um criminoso que, quando criança, tenha sido levado a Cristo. Aqueles que, cedo na vida, aceitaram o Senhor e foram criados no temor dEle, são hoje os esteios da sociedade.
              Se quisermos viver dias melhores no futuro, devemos levar as crianças a um encontro pessoal com Jesus, para que O aceitem como Salvador, e educá-las no Caminho, na Palavra de Deus.
              Não devemos cometer os erros da geração passada. Não devemos agir como alguns cristãos, de forma irresponsável; aqueles que, aos domingos, vão à igreja, oram, cantam e, pelo modo como se comportam, parecem verdadeiros filhos de Deus, mas que, nos outros dias da semana, agem como se não fossem cidadãos do Reino.
             Precisamos ficar atentos em relação ao tipo de vida espiritual que estamos tendo. Aqueles que não abraçam a Palavra de modo completo e não agem de acordo com Ela, precisam lembrar-se de que, além das muitas coisas ruins que estão garantindo para si mesmos, estão plantando más sementes em seus filhos, pois eles aprendem observando o modo de viver, principalmente, dos pais.
              Devemos praticar a Palavra 24 horas por dia, sete dias por semana e incentivar os pequeninos a fazerem o mesmo.
             Ao primeiro espirro, os pais devem orientar seus filhos a amarrar o resfriado em Nome de Jesus. Ao sentirem qualquer dor, devem exigir a saída do mal. Quando alguém da vizinhança, algum parente ou conhecido estiver enfermo e em problemas, os cristãos têm de aproveitar a oportunidade para treinar seus filhos na fé. “Vamos orar por Fulano?” — essa deveria ser a “pergunta-convite” feita aos filhos. Aprende-se fazendo. Nossos filhos se desenvolverão de modo sadio, quando praticarem a Palavra do Senhor.
               O nosso testemunho perante os pequeninos é a melhor pregação que podemos fazer. Os filhos nunca deveriam ouvir os pais queixando-se do governo, da inflação, de qualquer pessoa ou coisa, pois os verdadeiros cristãos sabem que, em todas as coisas, eles são mais do que vencedores, por intermédio do Senhor.
                 Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Romanos 8.37
                 Quando qualquer filho de Deus se queixa de algo, esta pessoa está invariavelmente confessando que desprezou a Palavra do Senhor. Não importa que tipo de provação nos cerque; em tudo somos mais do que vencedores, por intermédio de Jesus, a Palavra de Deus.
                 Essa é a fé que nossos filhos necessitam ver em nós. Não é preciso que eles nos ouçam gabando-nos do que podemos fazer, mas, sim, ver-nos agindo conforme a Palavra nos orienta; isso os preparará para a vida.





Preparados para a vida
                   A vida é dura, cruel e difícil. Desde cedo, as crianças devem ser preparadas para os combates da vida. Quando os pais atendem a todos os gostos e todas as vontades dos filhos, na verdade, estão fazendo um grande mal a eles.
                 Em todas as crises, as crianças devem ser orientadas a agirem pela Palavra. Esta deve ser usada sempre para responder a todas as indagações da vida.
              Os pequeninos precisam aprender a encarar os problemas como oportunidades que Deus lhes concede para vencerem, usando o Nome de Jesus. Devem ser ensinados a praticar a lei da semeadura e da ceifa na obra de Deus, para obterem uma vida próspera e vitoriosa. Desde o primeiro presente, devem aprender a dizimar, mas os pais que não são dizimistas dão um desastroso exemplo para os filhos.
Preparados para servir ao Senhor
                Poucos cristãos se dão conta de que foram salvos para servir ao Senhor, por isso, as crianças raramente são ensinadas a respeito disso. É muito importante que aprendamos esta verdade e a passemos para os pequeninos. Nós, os salvos, somos a luz do mundo, a solução do mundo.
                Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte, Mateus 5.14
               Então, há saída para o mundo. Nós somos e temos a solução. Crendo assim e levando os nossos filhos a aprenderem e praticarem essa verdade, veremos, sem dúvida, dias melhores.
              Somos a luz (a solução) do mundo, porque temos em nós a natureza de Deus. Temos a habilidade, a capacidade do Senhor: Sua Palavra. Por isso, somos a luz para os problemas da humanidade.
                Uma criança que é salva e conhece a sua posição espiritual não difere de um adulto salvo. Se ela for ensinada a ocupar o seu lugar e for treinada na Palavra, poderá dar um perfeito testemunho de Cristo na escola, a outras crianças, e na própria família.
              Servir a Deus é submeter-se à Sua Palavra e praticá-lA. E ser uma extensão de Jesus aqui na terra, sendo revestido pelo poder do Espírito Santo para fazer a obra do Senhor, curando os enfermos, expulsando os demônios e levando outros a receberem Jesus como Senhor e Salvador.
             Que lindo quadro: os pais e os filhos saindo juntos para evangelizar, para visitar os doentes ou para distribuir literatura bíblica!
             Nesses tempos em que os traficantes descobriram na escola um “jardim” para plantar as suas nefastas sementes, urge que os pequeninos nascidos de novo, também façam o mesmo com a boa semente, a Palavra de Deus.
            Que testemunho maravilhoso teremos quando as nossas crianças e os nossos jovens começarem a orar na escola pelos colegas enfermos, ministrando cura para eles, levando aqueles que são dominados pelos vícios e pecados ao Senhor, para receber o novo nascimento!
           A missão dos pais é preparar os seus filhos, a herança do Senhor, para servir a Deus. Aprende-se fazendo. Nossos filhos farão a obra do Senhor quando lhes dermos o exemplo.
MESA VAZIA – UM PÉSSIMO TESTEMUNHO
          Quando aceitamos o Senhor Jesus, fomos libertos do império das trevas: o império da doença, do fracasso e da miséria.
                        Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor. Colossenses 1.13
             Devemos prestar atenção à Palavra. Ela declara que já fomos libertos. Isso significa que o império do mal não nos pode dominar mais. A nossa redenção é o fato mais real e verdadeiro que já existiu.
             Porém, há uma grande diferença entre o que a Bíblia declara ser nosso (como o fato de termos sido libertos do império das trevas) e o modo como vivemos. A Bíblia menciona como Deus nos vê, mas nem sempre nós nos vemos dessa maneira. Na maioria das vezes, nós nos enxergamos como o diabo nos mostra.
             Cristão algum deve sujeitar-se à falta de recursos, bem como a nenhum outro sofrimento. Nós fomos libertos do império dos sofrimentos. E nosso dever crer na Palavra e exigir o cumprimento dEla. Temos a obrigação de fazer com que a prosperidade, a saúde e todas as bênçãos declaradas nas Escrituras, tornem-se realidade em nossa vida.
             Tomar conta do lar é viver praticando toda a Palavra do Senhor. Não podemos aceitar que a miséria, as doenças e outros males imperem em nosso território. Você pode perguntar: “Como isso é possível?” A resposta é: praticando a Palavra do Senhor.
            Embora esse livro não seja direcionado para o estudo da fé, mencionamo-la porque é importante que não nos esqueçamos de que precisamos viver pela fé. O cristão não pode fazê-lo por outro meio; a Palavra declara que o nosso sustento tem de vir da fé.
           Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Hebreus 10.38
            Essas são as verdades que todos devem aprender conosco. Devemos mostrar-lhes que cremos assim; que agimos por fé porque este foi o modo prescrito pelo Senhor Jesus como padrão de vida para os Seus. Não devemos somente anunciar as verdades bíblicas, mas, sim, praticá-las publicamente.
             Todos devem ser levados a ler a Bíblia. Também devemos conversar com as pessoas sobre o tipo de vida que as Escrituras nos recomendam e sobre o Senhor esperar que vivamos de acordo com a Sua Palavra, vitoriosamente.
              Precisamos ter bastante cuidado para que ninguém descubra que vivemos de forma diferente do padrão da Palavra. Não estou afirmando que devemos camuflar o modo como vivemos, e sim que devemos viver a Palavra em uma transparência tal, que todos quantos estejam ao nosso redor contemplem Cristo por meio do nosso agir, em todos os momentos.
             Viver vitoriosamente é a única maneira que a Palavra espera que vivamos. Em nossas igrejas, temos ensinado isso. Os nossos pastores pregam a vida vitoriosa em Cristo. Os nossos filhos conhecem as promessas nas Escrituras, mas, por não praticar a revelação do Senhor, os pais permitem que ocorra o contrário em suas casas: mesa vazia, problemas aumentando, sofrimentos, brigas e derrotas.
             Certamente, essa realidade afetará negativamente nossos filhos. Inclusive, poderão ser tentados a crer que aquilo que o Senhor disse não era bem o que Ele queria dizer.
Pregação negativa
            Sabemos que, normalmente, os filhos não vêem erros nos pais, daí que, se para os pais as coisas não funcionam bem, os filhos poderão pensar que o problema está em qualquer outra pessoa ou circunstância; pode estar até mesmo na Palavra. Talvez os filhos não venham a dizer isso, mas o diabo poderá despertar neles um desinteresse pela Palavra do Senhor, que os fará mais incrédulos do que os ímpios que nunca ouviram o Evangelho.
              Mas, se estou doente ou com problemas devo ou não comunicar a situação à família? Devo mentir? Não. E errado que alguém viva cheio de problemas e ainda arranje outro — a mentira. Não devemos mentir jamais, nem mesmo para salvar unia vida. E um péssimo e desastroso testemunho apelarmos para a mentira.
             Ao enfrentarmos uma situação adversa, devemos reunir a família e contar-lhe o que se passa, mas o passo seguinte é abrir a Palavra para saber o que o Senhor nos fala sobre o problema e sobre como poderemos resolvê-lo. Certamente, para qualquer ação do inimigo, o nosso Deus já colocou nas santas páginas da Bíblia a devida orientação. E o Espírito Santo é fiel para abrir os nossos olhos e ministrar-nos a revelação da Palavra de Deus sobre aquela situação.
              Expor à família o que se passa não é negar a fé, tampouco dar uma mostra de fraqueza. E deixar que todos juntos participem da solução; desde que a Palavra de Deus seja obedecida.
            Ocorre, porém, que, para muitas famílias, a Bíblia só serve para ficar aberta no Salmo 91, a fim de “afugentar” as más influências, como se Ela fosse um espantalho. Deixar a Bíblia aberta em qualquer livro não faz a menor diferença. O que protege não é o livro, mas o que está escrito nele, uma vez que a pessoa entenda, creia e confesse aquela verdade bíblica.
             Os pais incrédulos se esforçam para transmitir aos seus filhos os conhecimentos que adquiriram do mundo. Alguns, desde cedo, ensinam doutrinas materialistas e atéias, nas quais Deus não passa de uma fuga para os fracos. Outros impõem aos filhos que sigam a religião deles, e a maioria dos pais cristãos simplesmente não se importa com a vida espiritual dos filhos. Como já temos dito, somos tentados a crer que os nossos filhos não obedecem à fé cristã, porque ainda não chegou a hora, mas sabemos que a verdade é bem outra.
A melhor pregação
É preciso não nos esquecer de que a melhor pregação é o modo como vivemos. Quando a mesa estiver vazia e reinarem em nosso lar a derrota, as perturbações e os sofrimentos, estaremos dando um mau testemunho de Cristo, e pior testemunho daremos se não nos levantarmos e tomarmos posse da vida abundante que o Senhor Jesus veio conceder-nos.
           Pior do que não ter o que pôr na mesa para a família é deixar de fornecer a ela o Pão que desceu do céu: Jesus, a Palavra de Deus.
                   Criar filhos é fazer de cada um deles verdadeiros praticantes da Palavra do Senhor. E levar aqueles que o Senhor nos confiou a conhecerem-No como Ele é: nosso Pai, Pastor, Provedor e Deus.
MESA FARTA - UM VERDADEIRO TESTEMUNHO
                     Que exemplo brilhante o cristão poderá dar à sua família quando ele praticar a Palavra de Deus! Quem fizer isso jamais experimentará qualquer mal!
                Quem guardar o mandamento não experimentarã nenhum mal,: e o coração do sábio discernirá o tempo e o modo. Eclesiastes 8.5
              Temos dito que seria lindo se os pais, ao enfrentarem qualquer problema, reunissem as crianças, a família inteira, e expusesse o caso. Então, depois que todos meditassem na Palavra sobre o problema que os afligia, orariam, determinando a bênção, e logo tomariam posse dela, passando a agradecê-la antes da mesma ter-se manifestado.
                Não existe a menor razão para que o cristão viva derrotado e fracassado. O Senhor é Pai tanto de um como de outro filho. Ele atende a qualquer filho, desde que este aja de acordo com a Palavra. Deus é seu Pai tanto quanto o de qualquer outro cristão.
                A miséria é o prêmio maior do diabo para o ser humano. Nada devemos aceitar do diabo.
                 Em vez de vivermos chateados, culpando os outros pelos insucessos que temos tido, ternos a obrigação de lutar, exigindo que o diabo e tudo que é dele afaste-se de nós. A arma para isso, nós temos — a Palavra de Deus.
                   Com a Palavra do Senhor podemos atrair a prosperidade ou qualquer outra bênção de que necessitamos. Essa é a essência daquilo que o Senhor Jesus nos ensinou. Leia Marcos 1122,23, medite bastante, e você verá o que faz com que as bênçãos se concretizem em sua vida.
                A mesa vazia, as doenças e outras derrotas dão um. mau testemunho sobre a nossa fé. Mas, a mesa farta é um excelente testemunho para os nossos filhos, bem como para os outros familiares. Eles verão que a fé em Cristo que abraçamos não foi simplesmente uma mudança de religião, mas uma mudança total e completa de vida. Eles precisam aprender que fomos chamados para sermos portadores de Boas Novas.
Reis que preparam sucessores
            E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra. Apocalipse 5.10
           Nesse texto está escrito que fomos feitos reis e sacerdotes para o nosso Deus. Como sacerdotes, a nossa missão é ministrar culto ao Senhor. E render-Lhe o louvor, a adoração, o sacrifício dos nossos lábios. Como reis, devemos governar em vida, por intermédio de Jesus Cristo, nosso Senhor; devemos decretar o que teremos ou não. Somos nós que decidimos o que os nossos familiares terão ou não. Reinar em vida é agir como Jesus agia.
                     Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Romanos 5.17
                     Esse é um ensinamento novo, diferente, que o Espírito Santo tem ministrado à sua Igreja. Afirmamos que é novo, pois, até pouco tempo atrás, ele não era conhecido, mas a verdade é que já faz mais de dois mil anos que isso estava escrito nas Sagradas Escrituras.
                 A Bíblia garante: fomos feitos reis para o nosso Deus. Como reis devemos reinar sobre as circunstâncias; sobre a miséria, a doença, as perturbações e sobre todos os aspectos da vida. Nós temos a última palavra. Somos nós que decidiremos o que teremos ou não.
                   Quando decretamos algo, isso tem de ocorrer. A nossa palavra, com base na Palavra de Deus, pronunciada em Nome de Jesus, decide a questão. A nossa palavra acerca da Palavra de Deus é cheia de autoridade.
                    Quanto aos nossos filhos, devemos lembrar que temos a missão de prepará-los para serem os sucessores. Não somente os nossos sucessores, quando formos para a eternidade, mas também os verdadeiros sucessores (os continuadores da obra) de Jesus neste mundo.
                       E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que cam ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. Romanos 8.17
                     A palavra herdeiro significa sucessor, aquele que sucede a alguém em um cargo ou função, dando continuidade à tarefa inerente. Somos herdeiros em Jesus, e devemos fazer com que os nossos filhos também sejam.
Jesus, o fiel Sucessor

                    Jesus é o Herdeiro de Deus. Ele sempre agiu como tal. Ele sabia que o Pai sempre honraria a posição dEle.
                       Quando as pessoas iam a Jesus para terem as suas necessidades supridas, Ele as atendia como um verdadeiro herdeiro de Deus, o Sucessor. Jesus sempre Se mostrava conhecedor de Sua posição no mundo espiritual. Ele sabia que estava no Pai e o Pai, estava nEle.
                     Se você estudar o que a Palavra declara que somos em Cristo e o que Ele pode fazer por nosso intermédio, constatará que somos herdeiros do Pai e co-herdeiros de Cristo; passará a ter uma vida tão próspera e produtiva, que afetará todos aqueles que tiverem contato com você, e dará aos seus filhos o melhor exemplo de pai que eles poderiam ter.
                   Essa é a nossa missão. Somos os herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.
Transporte essa verdade para sua realidade e diga: sou herdeiro de Deus e co-herdeiro de Cristo.
              O nosso ministério é dar continuidade ao do Senhor Jesus. Se nos calarmos, Ele não poderá falar em nosso lugar. Se agirmos, Ele agirá. Se usarmos a Palavra, o Senhor fará muito pelos nossos filhos.
               A nossa responsabilidade é grande. Ele nos confiou a Sua herança para que dela cuidemos e a edifiquemos. A futura geração poderá ser muito abençoada se soubermos criar esta nova geração que o Senhor entregou em nossas mãos. Nós somos os reis que preparam sucessores para o Rei dos reis.


Autor desconhecido. 



Versículos

Conheça Jesus

Isaías 54.4

Não temas, porque não serás envergonhada; e não te envergonhes, porque não serás humilhada;
antes te esquecerás da vergonha da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez.


Filme Jesus

filme